Fifa diz que críticas sobre o tatu-bola na Copa foram injustas

Fifa diz que críticas sobre o tatu-bola na Copa foram injustas

Segundo representante da entidade, a conservação da biodiversidade é um tema importante, não tinha relação com o torneio de futebol, apesar de o mascote do evento ter sido inspirado na espécie: o Fuleco

Herton Escobar

30 Janeiro 2015 | 13h58

FOTO: O tatu-bola, Tolypeutes tricinctus. Crédito: J.A. Siqueira

FOTO: O tatu-bola, Tolypeutes tricinctus. Crédito: J.A. Siqueira

A Fifa publicou recentemente o seu Relatório de Sustentabilidade da Copa do Mundo 2014, com uma prestação de contas das iniciativas implementadas pela entidade nas áreas sociais e ambientais durante o torneio, incluindo projetos de compensação das emissões de carbono, capacitação de catadores e reciclagem do lixo gerado durante os jogos no Brasil.

A publicação inclui uma entrevista institucional com o diretor de Responsabilidade Social Corporativa da Fifa, Federico Addiechi, na qual chama atenção um comentário dele com relação ao mascote Fuleco e às cobranças que foram feitas por cientistas e ambientalistas de que a entidade deveria contribuir para a conservação do tatu-bola.

Pesquisadores chegaram a publicar um artigo numa revista científica, sugerindo que a Fifa, em parceria com o governo brasileiro, declarasse 1 mil hectares de caatinga como área protegida para cada gol marcado na Copa do Mundo do Brasil. (O tatu-bola vive na caatinga; então proteger o bioma seria uma forma de proteger a espécie.)

Leia a reportagem completa aqui: Cientistas lançam desafio à Fifa: salvar o tatu-bola da extinção

 Na entrevista, Addiechi, cita o caso do Fuleco como exemplo de uma situação em que ele se sentiu “injustamente criticado”:

“Um bom exemplo foram as críticas que foram direcionadas a nós com relação ao fato de que, apesar de ser um tatu-bola, o Fuleco — mascote oficial da Copa do Mundo da Fifa 2014 — não foi contemplado com esforços específicos de conservação da biodiversidade. A conservação da biodiversidade é, claro, um tema importante para o Brasil. No entanto, nossa análise de materialidade concluiu que nem a Fifa nem o Comitê Organizador Local (COL) tinham qualquer influência direta nas regulamentações que governam a conservação da biodiversidade no Brasil, e que isso não impactava a organização do torneio. Para tornar isso material para a Fifa e o COL, ambos esses aspectos teriam de ser positivos. De fato, poderíamos ter doado fundos para organizações que trabalham com conservação. Dito isso, ter feito isso teria significado desviar recursos de outras áreas, como gerenciamento de resíduos nos estádios e programas de apoio ao desenvolvimento social pelo futebol, áreas nas quais temos uma influência mais direta.”

A íntegra do relatório da Fifa está disponível aqui: http://goo.gl/mtypqV. O comentário de Addiechi sobre o Fuleco está na página 18.

Simultaneamente à publicação do relatório, a Fifa anunciou a criação de um Fundo de Legado da Copa do Mundo 2014, no valor de US$ 100 milhões, que serão usados para financiar projetos nas áreas de infra-estrutura, saúde e desenvolvimento social por meio do futebol, para jovens e mulheres. Mais informações aqui: http://goo.gl/oTI91f

Apenas a título de curiosidade, foram marcados 171 gols na Copa do Mundo do Brasil, o que teria significado, pela proposta dos pesquisadores, a criação de 171 mil hectares de área protegida para o tatu-bola na caatinga (1.710 km2, uma área um pouco maior do que a do município de São Paulo). A espécie, chamada cientificamente de Tolypeutes tricinctus, só existe no Brasil e está ameaçada de extinção. Especialistas estimam que sua população foi reduzida em 50% nos últimos 30 anos, principalmente por conta da perda de hábitat e da caça. Veja a ficha completa aqui: http://goo.gl/NRPqO7