Foguete explode em base da Nasa segundos após o lançamento

Foguete explode em base da Nasa segundos após o lançamento

Herton Escobar

28 Outubro 2014 | 23h17

O foguete Antares, na plataforma de lançamento. Foto: Nasa/Joel Kowsky

Um foguete não tripulado da classe Antares explodiu hoje segundos após ser lançado de uma base da Nasa no Estado da Virgínia (EUA), às 20h22 horário de Brasília (18h22 horário local). Veja vídeos abaixo, postados no site BuzzFeed — o segundo deles mostra o espanto e o pânico de jornalistas que estavam acompanhando o lançamento à distância.

O foguete pertencia à empresa Orbital Sciences Corporation e levava uma cápsula Cygnus (foto abaixo), carregada com mais de 2 toneladas de equipamentos e suprimentos para a Estação Espacial Internacional (ISS). Seria a terceira missão de reabastecimento da ISS realizada por uma nave contratada da iniciativa privada, desde que a Nasa aposentou seus ônibus espaciais (dois dos quais também explodiram, Columbia e Challenger) e passou a “terceirizar” o serviço para a iniciativa privada, para estimular sua indústria e não ficar para sempre dependente das naves russas Soyuz.

A Orbital Sciences tem um contrato de US$ 1,9 bilhão com a Nasa para realizar oito dessas missões. As duas anteriores ocorreram sem problemas. Outro contrato, de US$ 1,6 bilhão, é com a empresa SpaceX, que utiliza suas próprias cápsulas (chamadas Dragon) e foguetes (Falcon 9), segundo informações do site Space.com. Ambas as naves são para voos não tripulados. O transporte de astronautas, por enquanto, ainda é feito pela Soyuz.

Segundo a Nasa, não houve feridos.

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Nos vídeos é possível ver os motores do foguete serem acionados, produzindo uma grande “nuvem de fumaça” (que na verdade não é fumaça, mas vapor d’água, gerado pela evaporação de água que é colocada abaixo do foguete, para reduzir o impacto sonoro do lançamento). Isso é normal. O problema surge alguns segundos após o início do lançamento, quando o foguete já está no ar. Há uma explosão na sua parte inferior, onde ficam os motores, e ele cai de volta sobre a plataforma, explodindo por completo.

Como é de praxe nesse tipo de acidente, cada segundo do lançamento será analisado minuciosamente nas próximas horas e dias para se entender o que deu errado. Segundo a Nasa, não havia nenhuma indicação de problemas até o momento do lançamento. “A equipe de Ciências Orbitais está realizando seus procedimentos de contingência, resguardando o local e os dados, incluindo toda a telemetria do foguete Antares e da nave Cygnus”, informou a agência espacial, pouco após o acidente.

“Vamos conduzir uma investigação detalhada imediatamente para determinar a causa dessa falha e as medidas que precisam ser tomadas para evitar uma repetição desse tipo de incidente”, disse o vice-presidente executivo da Orbital, Frank Culbertson, em uma nota divulgada pela empresa.

No Brasil

As imagens fazem lembrar o acidente com o foguete brasileiro VLS-1, que pegou fogo na plataforma de lançamento da base de Alcântara, no Maranhão, matando 21 pessoas, em 2003. Uma tragédia da qual o tímido programa espacial brasileiro até hoje não se reergueu por completo. Neste link é possível ver um vídeo do acidente, editado de uma reportagem do programa Fantástico: http://youtu.be/MXSDHu54_wA

Outro acidente, mais recente, que também aplicou um duro golpe no programa espacial brasileiro, foi a perda do satélite sino-brasileiro CBERS-3, em dezembro de 2013, por causa de uma falha no lançamento realizado pelos chineses. O satélite foi liberado no espaço, mas numa altitude muita baixa e sem velocidade suficiente para permanecer em órbita; e acabou caindo de volta na Terra. Leia sobre esse acidente aqui: http://goo.gl/ikoJeS

Um irmão gêmeo desse satélite, o CBERS-4, deverá ser lançado no final deste ano. Leia sobre ele aqui: http://goo.gl/N0uIYN

Os acidentes sofridos pela Nasa não deixam dúvida de que a exploração do espaço é uma atividade extremamente arriscada, até mesmo para as agências espaciais e indústrias mais experientes.

Cápsula não tripulada Cygnus, desenvolvida para levar suprimentos à Estadão Espacial Internacional (ISS). Foto: Nasa, vida Wikipedia

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