Galáxia gigante (sem pleonasmo)

Galáxia gigante (sem pleonasmo)

Herton Escobar

10 Janeiro 2013 | 20h13

FOTO: NASA’s Goddard Space Flight Center/ESO/JPL-Caltech/DSS

A galáxia NGC 6872, localizada a 212 milhões de anos-luz da Terra, na constelação de Pavo, é a maior galáxia espiral já medida pelo homem, segundo uma notícia divulgada hoje pela Nasa. De acordo com medições feitas por uma equipe de astrônomos (incluindo a brasileira Claudia Mendes de Oliveira, do IAG-USP), a NGC 6872 tem 522 mil anos-luz de uma ponta a outra; cerca de cinco vezes o tamanho da nossa própria galáxia, a Via Láctea.  O que significa que, para chegar de uma ponta a outra dela, você precisaria viajar à velocidade da luz numa nave espacial por 522 mil anos!!! Imagine só!

Mais informações sobre o estudo, sobre os telescópios usados e sobre a imagem acima podem ser obtidas no site do missão GALEX (Galaxy Evolution Explorer), que era da Nasa mas agora está “emprestada” para a universidade Caltech.

Outras imagens e uma simulação bacana de como funcionam as galáxias espirais podem ser vistas aqui, neste site com material didático do IAG-USP.

Há vários formatos de galáxias no universo, que podem ser classificadas de uma forma geral como irregulares, elípticas ou espirais (que podem ou não ter uma barra no centro, como a NGC 6872 tem). A nossa Via Láctea também é uma galáxia espiral, mas é difícil descrever exatamente qual é o seu formato … para entender porquê, veja esse post de mais ou menos um ano atrás: A galáxia que habito

Outra curiosidade é que, como acontece com frequência na ciência, a descoberta do tamanho fenomal da NGC 6872 foi feita por acaso. Vejam abaixo o relato da pesquisadora Claudia Mendes de Oliveira:

“A descoberta da maior galáxia espiral do Universo foi feita por acaso.  Estávamos procurando por casos onde colisões de galáxias são capazes de formar novos objetos como por exemplo aglomerados jovens de estrelas e galáxias anãs (chamadas TDGs, tidal dwarf galaxies).  Para este estudo nós estávamos, então, utilizando imagens da galáxia obtidas com o satélite GALEX no ultra-violeta pois sabemos que objetos recém formados emitem fortemente em ultra-violeta.

Foi quando, então, notamos que o tamanho da galáxia NGC 6872 no ultra-violeta era muito maior do que o que tínhamos medido anteriormente nas imagens no optico (que já a colocava entre as maiores existentes).

Além de ter o bônus da descoberta da maior galáxia espiral do universo, também achamos um lindo exemplo do que procurávamos: uma galáxia recém formada pela colisão de duas outras. Esta nova galáxia é a que é vista completamente em azul (só vista no ultra-violeta) no canto esquerdo em cima, e esta nunca tinha sido detectada anteriormente.

O cenário mais provável é que a galáxia NGC 6872 colidiu com sua companheira (a pequena IC4970, que aparece na foto logo acima da galáxia maior) e o gás expelido durante esta colisão formou vários objetos menores e a galáxia anã TDG, azul.  Pretendemos agora obter espectros com o telescópio Gemini da nova TDG encontrada para confirmar se ela foi realmente formada recentemente através da colisão de duas galáxias maiores.

O que é bem interessante neste estudo é que estudamos NGC 6872 e IC4970 em diferentes cores, desde o ultravioleta até o infravermelho, o que evidenciou diferentes idades para as regiões ao longo dos bracos espirais. As regiões mais distantes do centro são as mais jovens, o que cabe muito bem no cenário de que estamos vendo um sistema que colidiu e expeliu o gás a partir do qual novos objetos estão sendo formados.”

Abraços a todos!