A Guerra da Água continua: Torneira paulista vs. Esguicho carioca

A Guerra da Água continua: Torneira paulista vs. Esguicho carioca

Herton Escobar

24 Março 2014 | 18h45

FOTO: Manifestantes fecharam a Rodovia Rio-Santos no fim de semana, em Itaguaí (RJ), em protesto contra a falta de água na região. Crédito: Foto: FÁBIO
PONTES/AGÊNCIA O DIA

Herton Escobar / O Estado de S. Paulo

Novas notícias da Guerra da Água no Sudeste Brasileiro (para atualizar o post anterior):

Governador do Rio diz que ninguém vai tirar uma gota de água do povo fluminense e que vai à Justiça, se necessário, impedir que São Paulo faça transposição de água da Bacia do Paraíba do Sul (que abastece a Grande Rio) para o Sistema Cantareira (que abastece a Grande São Paulo). Governador de São Paulo rebate, dizendo que a água que vai ser captada é da Represa Jaguari, que faz parte do Estado de São Paulo, e portanto a água “é dos paulistas” — e, aliás, quem faz transposição do Paraíba do Sul é o Rio de Janeiro, que tira água do rio, joga no mar, e não devolve nada!

Veja: Alckmin diz que quem faz transposição do Paraíba é o Rio

O problema, do ponto de vista dos cariocas, é que o Jaguari é um dos afluentes do Paraíba do Sul e, portanto, quanto mais água São Paulo captar rio acima, menos água sobrará rio abaixo para o RJ. Assim, fica a pergunta: Quem é mais dono da água? O dono da terra onde ela nasce, ou o dono da terra onde ela deságua? O cara que controla a torneira, ou o que segura o esguicho?

A Guerra continua; e não vai acabar tão cedo.

A Organização das Nações Unidas prevê que, até 2030, a população mundial (incluindo eu, você, sua mãe, seu pai e todos os outros seres humanos do planeta) vai precisar de 40% mais água, 35% mais comida e 50% mais energia para sobreviver. E eu pergunto: Essa água e essa comida toda vão brotar de onde? Como se pode ver, hoje em dia já não tá sobrando muito por aí.

Comida, a gente pode produzir. Água, não; só temos o que a natureza nos dá. A quantidade de água doce que existe no planeta é fixa, e nós já usamos a maior parte dela que está disponível para nós.

Sem falar que, para produzir comida, é preciso água (muita água!). Uma coisa, então, está diretamente ligada à outra. No caso da energia também, especialmente no Brasil, onde a maior parte da eletricidade é gerada por hidrelétricas.

Não temos muitos controle sobre o que os nossos governantes fazem ou deixam de fazer, infelizmente. Mas temos que fazer a nossa parte e economizar (água, energia e comida … pois no fundo são praticamente a mesma coisa). Não só agora, no momento de crise, mas sempre; pois a água que sai do Cantareira hoje é a água que vai faltar no Cantareira amanhã. A água que você desperdiçou lavando o carro dois anos atrás é a água que está faltando hoje no seu chuveiro e que pode faltar amanhã na sua panela para cozinhar. Sai tudo do mesmo lugar.

Veja: Nível dos reservatórios deve cair ainda mais 

Daqui a pouco, com o perdão das palavras, não teremos água suficiente nem mais para dar descarga e apagar a “burrada” que fizemos. Imagine só!

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