A CIÊNCIA DA BIODIVERSIDADE

A CIÊNCIA DA BIODIVERSIDADE

Herton Escobar

10 Junho 2010 | 21h34

Joly et al Photos 1

Um artigo publicado na edição de hoje da revista Science – uma das duas mais importantes revistas científicas do mundo, ao lado da Nature – destaca a importância do programa Biota-Fapesp para o conhecimento, a conservação e, quem sabe, o aproveitamento futuro da biodiversidade paulista.

Lançado em 1999, o programa já apoiou 94 grandes projetos de pesquisa, que resultaram na descrição de aproximadamente 1.800 novas espécies vegetais e animais (entre elas, esse sapinho venenoso de 1 cm, fotografado acima, batizado de Brachycephalus pitanga), adquiriu e depositou informações sobre 12.000 espécies no total e ainda digitalizou e disponibilizou online informações sobre 35 grandes coleções biológicas da biodiversidade brasileira. Tipo aquela que pegou fogo recentemente, no Instituto Butantan…..

Aliás, eis aqui um exemplo perfeito da importância dessas coleções. Para cada uma dessas 1.800  espécies descritas pelo programa, espécimes foram coletados na natureza, estudados, sacrificados e depositados numa coleção biológica. Eles são a prova física e científica de que essas espécies existem!


Imagine, por exemplo, que alguém queira desmatar uma determinada área de mata nativa para abrir um pasto ou uma plantação de cana. E você precisa tomar uma decisão sobre autorizar ou não esse desmate. Para isso, você precisa saber que espécies vivem naquela mata ou naquela região, pelo menos. Será que é uma área importante, com espécies únicas, raras ou talvez ameaçadas? Ou será uma mata mais comum, sem maior importância em termos de biodiversidade?

Pois bem… se algum biólogo já fez estudos naquela mata, você pode consultar uma coleção biológica e saber que tipos de animais foram coletados ali. Ou você pode mandar um biólogo entrar na mata e fazer um inventário… mas, para confirmar que espécies vivem ali ele também terá que comparar os bichos e plantas que coletar com os espécimes de referência depositados em coleções.

Enfim, não vou entrar nos detalhes. Basta dizer que o trabalho feito pelo Biota, e registrado nas coleções, já serviu de base para quatro decretos do governo do Estado de São Paulo. Entre eles, o de zoneamento agroecológico que estipula zonas proibidas ao plantio de cana-de-açúcar e outro, que mapeia áreas prioritárias para recuperação de matas ciliares e outros ecossistemas essenciais de preservação permanente, ilegalmente desmatados.

O artigo é assinado pelos pesquisadores Carlos Joly, Ricardo Rodrigues, Jean Paul Metzger, Célio Haddad, Luciano Verdade, Mariana Oliveira e Vanderlan Bolzani. Palmas para eles, viva a biodiversidade, e abraços a todos.