HAJA PLANETAS!

HAJA PLANETAS!

Herton Escobar

11 Janeiro 2012 | 20h08

Representação gráfica de estrelas com planetas. (ESO/M. Kornmesser)

Quanto mais os astrônomos olham para o espaço, mais “superpovoado” ele parece. Em novo estudo divulgado ontem, pesquisadores estimam que haja, em média, pelo menos um planeta para cada uma das 100 bilhões de estrelas na nossa galáxia, a Via-Láctea. E a contagem só começou. “Concluímos que estrelas com planetas em sua órbita são regra e não exceção”, escrevem os autores do

Documento

A média, segundo eles, é de 1,6 planeta por estrela.

Mais de 700 planetas extrassolares foram descobertos nos últimos anos e outros milhares de “candidatos” aguardam confirmação. A maioria é de gigantes gasosos, como Júpiter e Saturno, mas avanços tecnológicos começam a revelar, também, a presença de vários planetas menores e rochosos, mais parecidos com a Terra.

No início da noite de ontem, a Nasa anunciou a descoberta dos três menores planetas extrassolares conhecidos, localizados em órbita de uma estrela chamada KOI-961. Segundo nota divulgada pela agência espacial americana, eles têm 78%, 73% e 57% do raio da Terra. Ou seja, são todos menores do que o nosso planeta, e o menor deles tem mais ou menos o tamanho de Marte (veja comparação na imagem abaixo). A descoberta foi feita com o telescópio espacial Kepler e confirmada por meio de observações feitas com telescópios no solo.

Os três planetas têm órbitas muito próximas de sua estrela, que é uma anã-vermelha, com um sexto do diâmetro do nosso Sol. “É o menor sistema solar já descoberto”, afirma John Johnson, líder de pesquisa no Instituto de Ciências Exoplanetárias da Nasa, no Instituto de Tecnologia da Califórnia. “Na verdade, é mais semelhante ao sistema de Júpiter e suas luas (do que do Sol e seus planetas). É mais uma prova da diversidade de sistemas planetários que existe na nossa galáxia.”

Estimativa Conservadora
O estudo na Nature é baseado numa técnica de observação que favorece a descoberta de planetas grandes e em órbitas distantes de suas estrelas. Ou seja: não leva em conta os planetas menores e mais próximos, como estes anunciados pela Nasa, que são muito mais difíceis de detectar. O que significa que a média real da Via-Láctea pode chegar a dois ou mais planetas por estrela, segundo Arnaud Cassan, do Instituto de Astrofísica de Paris, um dos autores do estudo. (mais informações técnicas neste link do ESO)

As descobertas mais recentes mostram que os planetas não são apenas comuns, mas estão em lugares inesperados, como sistemas binários, formados por duas estrelas. Até recentemente, astrônomos pensavam que esses sistemas eram caóticos demais para sustentar planetas em suas órbitas. Mas três sistemas desse tipo já têm planetas confirmados.

“A natureza deve gostar de formar planetas, porque está formando-os até em lugares onde é difícil fazer isso”, disse William Welsh, professor de astronomia da Universidade Estadual de San Diego, coautor de um outro estudo publicado na Nature, sobre a descoberta de dois planetas em um sistema binário. A descoberta foi feita também com o telescópio Kepler. “É uma boa notícia para aqueles que procuram vida fora da Terra.”

“Estamos encontrando uma variedade incrível de coisas que nem achávamos que poderiam existir”, comenta a astrônoma Lisa Kaltenegger, da Universidade Harvard, que participa da conferência da Sociedade Astronômica Americana, que ocorre em Austin, Texas. “Estamos ‘inundados’ com planetas, enquanto que há 17 anos atrás nem tínhamos certeza se existiam (fora do Sistema Solar).”

(Texto elaborado com informações de Seth Borenstein/AP, de Washington)

Image credit: NASA/JPL-Caltech