HOMEM DAS CAVERNAS

Herton Escobar

06 Agosto 2011 | 10h25

Depois de visitar as cavernas de Kuala Lumpur, viajei para a ilha de Borneo e passei 3 dias no Parque Nacional do Monte Mulu, que tem alguns dos maiores sistemas de cavernas do mundo. Dois recordes famosos são os da Deer Cave, que tem o maior “vão de entrada” do mundo (não sei as dimensões exatas, mas é simplesmente gigantesco … tão grande que não cabe numa única foto, só olhando de muito longe … impressionante) e o Sarawak Chamber, que é o maior salão de caverna do mundo (que não consegui visitar porque para chegar lá levava um dia inteiro de trilha pesada na selva, que os guias não gostam muito de encarar … então priorizei outras coisas).

Acima vocês podem ver uma seleção de fotos que fiz nas trilhas do parque. Os momentos mais marcantes, sem dúvida, foram a entrada da Deer Cave e a travessia da Clearwater Cave, um trek de 8 horas que inclui uma série de passagens apertadíssimas, descidas de corda, travessias de rios subterrâneos, e termina com você totalmente imundo de lama, suor e cocô de morcego. Ou seja: uma delícia!

E falando em cocô de morcego … tudo que eu escrevi sobre as cavernas de Kuala Lumpur no post anterior é verdade também para as cavernas de Mulu. Com a diferença de que tudo tem de ser multiplicado por cem, ou até mil. Só a Deer Cave tem uma população de 2 a 3 milhões de morcegos, e as montanhas de guano dentro dela são literalmente “montanhas”. Também tive o privilégio de ver os morcegos saindo da caverna no fim da tarde para se alimentar na floresta. Achei que eles voariam todos de uma vez, como numa nuvem gigantesca de morcegos, mas não. Eles são incrivelmente organizados, e saem da caverna voando “em fila”, numa formação que parece um fio de Miojo tremulando no vento. Ou um sinal de fumaça … sei lá como explicar … só vendo mesmo para acreditar.

Agora, imagine o terror nos olhos dos insetos da floresta ao ver aquele macarrão de 3 milhões de morcegos escorrendo para fora da caverna!