Lama deixa rastro de peixes mortos em Colatina

Lama deixa rastro de peixes mortos em Colatina

Herton Escobar

21 Novembro 2015 | 23h42

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Peixes mortos em Itapina, Colatina (ES). Crédito: Marcelo Colese/IFES

A enxurrada de destruição ambiental causada pelo rompimento das barragens da Samarco se move em várias ondas. Primeiro chega uma pluma mais rala e rápida de água barrenta, seguida de uma mancha de lama mais espessa, que deixa a água com uma aparência de leite achocolatado, com vários quilômetros de comprimento. Por fim vem a “cauda do monstro”, como me descreveu um técnico do Serviço Geológico Brasileiro que está seguindo a onda de lama ao longo do Rio Doce.

Difícil dizer onde termina esse bicho agora … Estou em Linhares, Espírito Santo, próximo à foz do rio, e não tenho como dizer como está a qualidade da água rio acima, mais próximo de Minas Gerais, onde já faz vários dias que a lama passou. Mas posso dizer, como testemunha ocular, que o corpo do monstro por aqui tem uns 80 km de comprimento, pelo menos, pois passou três dias atrás em Colatina e a água lá continua totalmente “achocolatada”.

Os sedimentos que correm na superfície são extremamente finos e se misturam completamente à água. Tanto que “entopem” as brânquias dos peixes, impedindo-os de respirar. Eles perdem a capacidade de extrair o oxigênio da água (cuja concentração também fica reduzida pela lama) e morrem literalmente sufocados — equivalente a alguém cobrir os alvéolos de um ser humano com areia.

A fauna aquática não morre imediatamente … mas morre. Hoje de manhã começaram a surgir peixes mortos em Itapina, o distrito de entrada do Rio Doce em Colatina. Daqui mais dois dias, o mesmo deve ocorrer em Linhares. No oceano o impacto é mais imprevisível, pois o volume de água para diluição e dispersão dos sedimentos é muito maior. Mas certamente será um impacto significativo. Sem falar que tem muita lama ainda presa rio acima, que mais cedo ou mais tarde vai acabar descendo e vazando para o oceano também. Então o problema está só começando … Com o início da estação de chuvas, vai descer muita sujeira da Samarco pelo Rio Doce ainda.

As fotos de peixes mortos que ilustram esse post foram feitas em Itapina pelo zootecnista Marcelo Polese, professor de aquicultura do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Espírito Santo (IFES), campus Piúma, que participa do trabalho de resgate de fauna e monitoramento dos impactos ambientais da lama na região.

Peixes mortos em Itapina, Colatina (ES). Crédito: Marcelo Colese/IFES

Peixes mortos em Itapina, Colatina (ES). Crédito: Marcelo Colese/IFES

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Peixes mortos em Itapina, Colatina (ES). Crédito: Marcelo Colese/IFES