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Mais carros, com menos poluição: é possível

Herton Escobar

10/04/2014, 8:00

FOTO: Trânsito na Marginal Tietê, em São Paulo. Crédito: Fabio Vieira/Fotoarena

Herton Escobar / O Estado de S. Paulo

O que aconteceria com as emissões de gás carbônico do trânsito brasileiro se o País tivesse o dobro de carros do que tem hoje?

Acredite se quiser, mas elas poderiam ser 10% menor do que eram em 2010, se o Brasil adotasse as mesmas metas de eficiência energética impostas à indústria de veículos na Europa. É o que mostra uma pesquisa do Centro de Estudos Integrados sobre Meio Ambiente e Mudanças Climáticas (Centro Clima) da Coppe/UFRJ, encomendada pelo Greenpeace.

O estudo faz uma estimativa de qual será a emissão da frota nacional de veículos leves dentro dos padrões de eficiência energética estipulados pela legislação brasileira e levando em conta as premissas do Programa de Incentivo à Inovação Tecnológica e Adensamento da Cadeia Produtiva de Veículos Automotores (Inovar-Auto), que dá incentivos fiscais para montadoras que melhorarem a eficiência energética de seus veículos até 2017. Depois, compara esse cenário ao de uma realidade alternativa, que seria a adoção das metas de eficiência energética determinadas pela atual legislação europeia, que exige melhorias significativa nos padrões de emissão dos carros produzidos nos seus países membros até 2021.

Resultado: Com as metas europeias, mesmo que o Brasil dobrasse o tamanho da sua frota atual de veículos, as emissões de gases do efeito estufa (medidas em milhões de toneladas de CO2 equivalente) oriundas dessa frota em 2030 seriam menores do que eram em 2010.

Os cálculos referem-se apenas à frota de veículos leves, que era de 24 milhões de carros em 2010 e deverá chegar a 52 milhões, em 2030.

“Nossa posição é que o Brasil precisa ter metas de eficiência mais agressivas, obrigatórias e de longo prazo para o setor automotivo”, diz o coordenador da Campanha de Transportes do Greenpeace, Iran Magno. “O Inovar-Auto é um programa que traz benefícios, mas é voluntário, e poderia ser muito mais ambicioso.”

“As tecnologias para isso já existem na Europa; seria só uma questão de incorporá-las à indústria brasileira”, destaca o pesquisador William Wills, da Coppe, responsável pelo estudo. “Os veículos no Brasil são muito ineficientes”, diz. Ele chama atenção, também, para o fato de que o benefício não seria apenas para o combate às mudanças climáticas, mas também para a economia do País e para a saúde da população nas grandes cidades. “Assim como as emissões de CO2, seriam reduzidas também as emissões de poluentes atmosféricos”, ressalta. “Todo mundo sairia ganhando.”

A íntegra do estudo está disponível neste link: http://bit.ly/1oPCZP9

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