Mais uma dose de ciência por favor!

Mais uma dose de ciência por favor!

Começa hoje o Pint of Science, maior festival de divulgação científica do mundo, com palestras gratuitas de pesquisadores em bares e restaurantes. Só no Brasil serão mais de 500 eventos, em 56 cidades, ao longo de três dias

Herton Escobar

14 Maio 2018 | 07h00

Precisa de um bom motivo para sair de casa numa segunda-feira à noite? A ciência, como sempre, tem a solução.

Começa hoje o maior festival de divulgação científica do mundo, o Pint of Science, que neste ano acontecerá em 21 países, incluindo o Brasil. A proposta é bem simples: sentar cientistas e leigos numa mesa de bar para falar sobre ciência de forma simples e descontraída. A ideia nasceu em 2013, na Inglaterra, e viralizou até virar um Godzilla global, com milhares de eventos acontecendo simultaneamente, durante três dias, em centenas de bares, botecos e restaurantes ao redor do mundo.

(O nome “Pint” refere-se ao tamanho do copo de cerveja que costuma ser servida nos pubs ingleses: 1 pint = 568 ml.)

No Brasil, neste ano, o bate-papo vai rolar em 56 cidades, de Macapá a Porto Alegre — 34 a mais do que no ano passado; 49 a mais do que dois anos atrás; e 55 a mais do que em 2015, quando o festival foi realizado no País pela primeira vez, em dois bares de São Carlos, no interior paulista, organizado pela jornalista Denise Casatti, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP.

O festival brasileiro já é o maior do mundo, empatado com a Inglaterra. Serão mais de 500 eventos, entre segunda e quarta-feira, com 885 palestrantes, falando sobre os mais variados temas (veja a programação completa aqui: pintofscience.com.br/programacao/). E só não vai ser maior ainda porque os organizadores colocaram um limite; pois havia demanda para participação de mais de 60 cidades. Haja ciência, e haja cerveja!

“Nunca imaginei que fosse crescer tanto, ainda mais num país sem tradição de divulgação científica”, diz a coordenadora nacional do festival no Brasil, Natalia Pasternak Taschner.“Foi uma boa surpresa ver que o brasileiro não se interessa só por samba e futebol”, completa ela — sem negar que a cerveja também ajuda. 

“É um modelo que funciona; que consegue fazer a conversa acontecer”, avalia Natalia, que é doutora em microbiologia e pesquisadora do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP. “As pessoas não têm vergonha de perguntar e os cientistas têm liberdade para falar. É uma forma de quebrar esse muro invisível que existe entre a universidade e a sociedade.”

O sucesso instantâneo do festival, segundo ela, é sinal de que existe uma grande demanda reprimida por conhecimento no Brasil. “Ou então as pessoas só precisavam de mais uma desculpa para beber cerveja”, brinca. “Conhecendo bem os brasileiros, tem um pouco das duas coisas.”

No ano passado, o festival atraiu 20 mil pessoas — só no Brasil. A quantidade de cerveja consumida não foi contabilizada.

Evento do Pint of Science Goiânia, 2017. Foto: Denise Casatti/Pint of Science Brasil