Massacre de tubarões no cardápio político de Bangcoc

Massacre de tubarões no cardápio político de Bangcoc

Herton Escobar

05 Março 2013 | 17h24

FOTO: Jovem passa na frente de um restaurante com barbatanas secas de tubarão na vitrine em Bangcoc. (Chaiwat Subprasom/Reuters)

 

Se alguém ainda tem dúvidas sobre quem é o maior predador dos mares, aqui vai a resposta de um estudo publicado na revista Marine Policy: cerca de 100 milhões de tubarões estão sendo mortos por ano no mundo, numa escala acima da capacidade de reprodução de muitas espécies (muitas delas já ameaçadas de extinção).

Seria apenas mais um caso de explotação excessiva de pescado, não fosse pelas características especialmente cruéis da pesca de tubarão e do importante papel que esses predadores “topo de cadeia” exercem nos ecossistemas marinhos. Grande parte dos tubarões é pescada apenas para obtenção de suas barbatanas, que são vendidas como ingrediente de sopa “de luxo” em vários países da Ásia. As barbatanas são removidas no próprio barco e o corpo dos tubarões, ainda vivos, são jogados de volta ao mar para morrer. (a carne de tubarão também tem valor de mercado, mas um tubarão inteiro ocupa espaço demais no barco, de modo que é mais fácil e lucrativo transportar apenas as barbatanas) Uma foto publicada no site de notícias da revista Science mostra isso claramente: um tubarão sem nadadeiras, como uma pessoa sem membros, jogado no fundo de um ecossistema recifal. Triste. Assim como os elefantes e os rinocerontes que são mortos na África apenas para obtenção de suas presas e chifres. Triste.

Isso não significa necessariamente que a pesca de tubarão deva ser proibida, nem o consumo de barbatanas, mas fica cada vez mais claro que é preciso ações legais internacionais para garantir que essa pesca seja feita de maneira sustentável (assim como se tenta fazer com a do atum e de tantas outras espécies de pescado). Antes que os tubarões desapareçam de vez. Este, mais uma vez, deverá ser um dos temas debatidos no encontro da Convenção sobre Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas (Cites), que começou esta semana em Bangcoc, na Tailândia — um dos países que mais pesca e consome barbatanas de tubarão. Não vai ser sopa.

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