Melhor sushi do mundo está ameaçado de extinção

Melhor sushi do mundo está ameaçado de extinção

Atum azul do Pacífico entrou para a Lista Vermelha da IUCN. Brasil é o décimo país com maior número de espécies em risco de extinção no mundo.

Herton Escobar

18 Novembro 2014 | 07h30

Foto: Um jovem atum azul do Pacífico, no Aquário da Baía de Monterey, Califórnia. Crédito: Randy Wilder/IUCN

Um atum azul do Pacífico no Aquário da Baía de Monterey, na Califórnia. Crédito: Randy Wilder/IUCN

Sabe aquele sushi gostoso, bem vermelho e suculento, tirado da barriga do atum, o maguro toro? Pois então … se já é difícil achar um desses de verdade no cardápio do seu restaurante japonês mais próximo, prepare-se, porque vai ficar mais difícil ainda no futuro. Talvez impossível.

O atum azul do Pacífico (nome científico, Thunnus orientalis), que é o maior, mais magnífico e mais valioso de todos os atuns, acaba de entrar para a lista de espécies ameaçadas de extinção. O anúncio foi feito ontem (17 de novembro), no Congresso Mundial de Parques, na Austrália, com a divulgação da mais recente edição da Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN), que está completando 50 anos.

A situação do atum azul já exige atenção há algum tempo, pelo fato de ele ser o ingrediente mais apreciado da culinária japonesa e, portanto, ser intensivamente pescado ao redor do mundo. Até agora, porém, ele era classificado pela IUCN como uma espécie de “Preocupação Mínima”. Na Lista Vermelha deste ano, ele salta para a categoria “Vulnerável”, que é uma das três categorias consideradas como ameaçadas de extinção — as outras duas, em ordem crescente de risco, são “Ameaçada” e “Criticamente Ameaçada”.

Segundo a IUCN, estudos indicam que a população do atum azul do Pacífico foi reduzida entre 19% e 33% nos últimos 22 anos, por conta da pesca. Mais um indício de que o oceano é enorme, e cheio de vida, mas seus recursos não são inesgotáveis. Nem os das florestas, das savanas, das montanhas ou dos desertos …

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Ranking. O Brasil, segundo os números da nova Lista Vermelha, é o décimo país com o maior número de espécies ameaçadas de extinção: 965. O primeiro lugar, disparado, pertence ao Equador, com 2.299 (a maior parte delas plantas, 1.840). O segundo colocado são os Estados Unidos, com 1.287 espécies ameaçadas, seguidos de perto pela Malásia (1.236) e pela Indonésia (1.225). Os números incluem espécies endêmicas (que só existem dentro do Brasil, por exemplo) e não endêmicas (que ocorrem em mais de um país). Veja tabela abaixo.

Uma das espécies ameaçadas brasileiras, que ganhou fama recentemente por causa da Copa do Mundo, é a Tolypeutes tricinctus, mais conhecida como tatu-bola (vulgo Fuleco). Ela está na categoria Vulnerável desde 1996. No reino vegetal, a famosa araucária (Araucaria angustifolia) permanece como Criticamente Ameaçada desde 2006.

Gráfico: Herton Escobar/Estadão; via Google Docs. Fonte: IUCN Red List 2014 

Mais de 76 mil espécies já tiveram seu status avaliado cientificamente pela IUCN para inclusão (ou não) na Lista Vermelha. Dessas, atualmente, 22.413 são consideradas ameaçadas de extinção, em uma dessas três categorias citadas acima. Esse número vem aumentando ano a ano (é mais do que o dobro de 15 anos atrás), mas é difícil fazer comparações estatísticas anuais, pois o número de espécies avaliadas e a quantidade de conhecimento científico disponível sobre elas também aumenta ano a ano.

Para ver a tabela completa da IUCN, clique aqui: 

Seja como for, uma tendência é clara: As coisas estão piorando, muito mais do que melhorando. Muitos cientistas avaliam que a biodiversidade da Terra está passando por um sexto evento de “extinção em massa”, mais grave ainda do que o que exterminou os dinossauros (e um monte de outros bichos e plantas) 65 milhões de anos atrás, no final do período Cretáceo. Em outras palavras: nossos tratores, motosserras, barcos de pesca e emissários de esgoto, juntos, têm hoje um poder cumulativo sobre a biodiversidade tão destruidor quanto o de um meteoro explodindo sobre a superfície do planeta. Imagine só!

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