MENTES E PERNAS INQUIETAS

MENTES E PERNAS INQUIETAS

Herton Escobar

06 Novembro 2011 | 07h26

 

“The explores of the past were great men and we should honor them. But let us not forget that their spirit lives on. Today, it is still not hard to find a man who will adventure for the sake of a dream or one who will search for the pleasure of searching, and not for what he may find.”

O texto acima foi escrito por Sir Edmund Hillary, o primeiro homem a pisar no topo do Monte Everest, em maio de 1953, em parceria com o sherpa Tenzing Norgay. É o último parágrafo de uma introdução que ele escreveu em 2003 para a edição comemorativa de 50 anos de seu livro “High Adventure”, no qual ele faz um relato pessoal de como se tornou alpinista e chegou, eventualmente, ao cume mais alto e desejado do planeta.

Minha frase favorita é a última: “a busca pelo prazer de buscar, e não por aquilo que se vai encontrar“. É algo que ele escreveu certamente com exploradores e aventureiros em mente, mas que se aplica igualmente bem à filosofia de cientistas e jornalistas. Profissões que parecem muito distintas, mas que têm muito em comum na sua essência, naquilo que motiva seus instintos mais primitivos. A curiosidade insaciável, o questionamento, a busca constante pelo conhecimento e pela descoberta. A necessidade de ver, saber, conhecer e entender.

O explorador quer saber como é a vista da montanha mais alta do mundo, o que tem depois da próxima curva ou do próximo morro. O cientista quer saber como o universo funciona, como duas proteínas se encaixam ou como uma célula normal de repente se torna cancerosa. O jornalista quer saber e contar para o mundo como os exploradores e os cientistas pretendem fazer todas essas coisas. E todos queremos ser os primeiros a fazer isso. O primeiro a pisar no topo do Everest. O primeiro a descobrir a cura do câncer. O primeiro a escrever sobre isso para o resto do mundo.

Einstein disse uma vez que “imaginação é mais importante do que conhecimento”. Se não for pretensão demais da minha parte, gostaria de dizer algo que acho mais adequado: “Curiosidade é mais importante do que conhecimento”. O segundo, na verdade, é consequência da primeira. O primeiro passo para ter respostas é perguntar. Imagine só!

Abraços a todos.