MESSI VS. ELANO: QUEM É O MELHOR CIENTISTA?

MESSI VS. ELANO: QUEM É O MELHOR CIENTISTA?

Herton Escobar

22 Junho 2010 | 22h14

FOTO: EFE

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Resultados da Copa até agora:

Messi, o super atacante argentino, aclamado possivelmente como um dos jogadores mais habilidosos que já pisaram sobre a Terra, fez zero gols em 3 partidas.

Elano, meio-campista brasileiro, um ótimo jogador, porém longe de ser aclamado como um dos melhores do mundo, fez 2 gols em 2 partidas.


Conclui-se: Elano é melhor do que Messi.

Sim, ou não?

Depende…. Messi não fez gols, mas criou jogadas espetaculares, chutou várias bolas na trave e deu vários gols de lambuja para seus colegas argentinos. Pode não marcar nenhum gol que mesmo assim será um dos melhores jogadores desta Copa.

E o que isso tem a ver com ciência? Pois bem… fazendo essa comparação hoje (em tom de brincadeira) com alguns colegas na redação, me coloquei a pensar sobre a questão da avaliação de mérito e produtividade em ciência, que abordei recentemente no meu post sobre “O que faz um bom cientista?”

Se avaliarmos a qualidade de um cientista meramente pelo número de publicações que tem, corremos o seríssimo risco de cair em comparações injustas como essa entre Messi e Elano. Claro que é válido comparar esses dois jogadores, mas a comparação não pode ser feita de uma forma simplista. Por exemplo, comparando apenas quem faz mais gols.

Assim como jogadores de futebol têm características diferentes e atuam em posições diferentes (que podem, inclusive, variar jogo a jogo, dependendo da estratégia tática de cada partida), cientistas têm características diferentes e fazem ciência de maneiras diferentes (que podem variar, também, de acordo com o modelo de gestão de cada instituição, o tipo de projeto, etc). Consequentemente, a avaliação da qualidade de um cientista versus outro é algo que precisa ser feito com enorme cuidado e não pode levar em conta apenas um ou duas estatísticas.

Com cientistas é ainda mais difícil (bem mais difícil!!) do que no futebol, pois as atividades no laboratório não são televisionadas ao vivo para milhões de pessoas. E os resultados não são tão óbvios quanto um passe, um drible ou uma bola na trave. Tanto que ninguém, até hoje, achou uma boa fórmula para avaliar pesquisadores “à distância”, baseando-se apenas em estatísticas.

A revista Nature, na semana passada, publicou um artigo com os resultados de uma enquete em que ela entrevistou 150 leitores (cientistas) e 63% disseram estar infelizes com as “métricas” usadas para avaliar seu rendimento. Além disso, 70% disseram temer que colegas (ou concorrentes, talvez seja a melhor palavra) tiram vantagem desse sistema de avaliação para fazer seu trabalho parecer melhor do que realmente é.

O tema é complexo e não vou entrar nos detalhes aqui. Além do artigo publicado na revista, a Nature montou um pacote online especial sobre isso, que pode ser acessado neste link). Vale a pena ler e refletir sobre o assunto entre um jogo e outro.

Abraços a todos.