MUNDO RADIOATIVO

MUNDO RADIOATIVO

Herton Escobar

17 Novembro 2009 | 21h17


FOTO: EDUARDO NICOLAU/AE

Imagine só: Neste exato momento, seu corpo está sendo atravessado por um incontável número de conversas telefônicas, programas de televisão, transmissões de rádio, mensagens de email, downloads de internet, filmes, músicas e por aí vai.

No mundo da comunicação sem fio é assim que funciona. Imagine, por exemplo, que você está caminhando pela Avenida Paulista lotada, na hora do almoço. Digamos que metade das pessoas em volta de você, nas calçadas, dentro dos prédios e dos carros, tem um aparelho celular ligado no bolso ou na bolsa.

Todos esses celulares estão emitindo sinais de rádio para se manterem conectados à rede telefônica. Quando alguém fala ao telefone, a conversa é transformada pelo aparelho em uma onda eletromagnética, que é transmitida pelo ar em todas as direções. O celular não sabe onde está a torre e manda um sinal linear especificamente na direção dela! A conversa flui para todos os lados, como uma onda num lago, até atingir a antena mais próxima e ser retransmitida para outra antena, outra antena, e assim por diante, até chegar ao telefone da pessoa do outro lado da linha. Todo mundo que estiver no caminho desse sinal será atravessado por ele.

Agora imagine milhares de pessoas falando ao telefone ao mesmo tempo ao seu redor. Some a isso os sinais de TV e rádio, que também estão sendo transmitidos pelo ar, e todos os sinais de internet wireless, cada vez mais comuns, e imagine quantas ondas de informações eletromagnética estão atravessando seu corpo num momento qualquer. Especialmente na Avenida Paulista, com aquelas antenas enormes espalhadas por todos os lados.

Mas não apenas lá, é claro…. No meu apartamento, por exemplo, meu laptop detecta mais de dez redes de internet wireless. São sinais dos apartamentos vizinhos, que atravessam várias camadas de paredes e móveis para chegar até mim. Eu não consigo usá-los para navegar na internet porque o acesso é protegido por senhas, mas os sinais estão passando pelo meu apartamento e pelo meu corpo de qualquer maneira. Quando meu vizinho faz o download ou upload de um filme, envia ou recebe um email via wireless, essas informações também são lançadas no ar em todas as direções, como no caso do telefone celular.

Aliás, falando em atravessar paredes … Muita gente acha que o telefone celular pode fazer mal à saúde. Um amigo meu me disse outro dia: “Se esse negócio atravessa uma parede de concreto, imagine o que não faz com as células do meu corpo”. Por isso ele nunca coloca o telefone na orelha. Só conversa via fone de ouvido e também nunca deixa o aparelho no bolso da calça, muito junto ao corpo. Só por precaução.

Pois bem, que o sinal de rádio do telefone atravessa nosso corpo e interage com nossas células, não há dúvida. A dúvida é se isso pode causar algum problema de saúde. Por exemplo, talvez, interferindo com o processo de divisão celular e induzindo a pequenos “erros” (mutações) na duplicação do DNA de uma célula para outra. Pequenos erros que, em casos extremos, poderiam induzir a formação de um tumor ou algo assim …

Vários estudos já foram feitos para investigar os possíveis efeitos nocivos do celular e, até onde eu sei, nada nunca foi provado. Alguns sugerem que pode haver problema, outros garantem que não. Dizem que a frequência do sinal é baixa demais para interferir com os processos biológicos.

Infelizmente não tenho uma reposta definitiva sobre o assunto. A polêmica está aí para ser resolvida. E com licença que meu celular está tocando….

Abraços (digitais e sem fio) a todos.