DEDO NO NARIZ

DEDO NO NARIZ

Herton Escobar

03 Fevereiro 2010 | 20h32


FOTO: Jim Gathany

Mais uma rapidinha científica:

Cientistas anunciam hoje em um artigo na revista Nature que decifraram geneticamente e bioquimicamente o sistema odorífero pelo qual o mosquito Anopheles gambiae (principal vetor da malária na África Subsaariana) reconhece o cheiro de suas presas humanas. E vai atrás delas para sugar seu sangue!

Interessante. Para aqueles que precisam de uma aplicação prática para se entusiasmar com alguma coisa, o estudo poderá apontar maneiras de inibir esse mecanismo olfativo … talvez por meio de algum repelente específico ou algo assim.

Mas mais legal do que os resultados é a maneira como a pesquisa foi feita. Os cientistas (das universidades Yale e Vanderbilt) primeiro identificaram, isolaram e clonaram 72 genes do sistema olfativo do mosquito maldito. Só isso já é incrível, apesar de ser prática comum de laboratório (como é que eles sabem quais são os genes? onde eles estão? e como tirar só eles, especificamente, de dentro do genoma?)… Cada um desses genes codifica uma proteína que identifica algum odor específico, ou um grupo de odores.

Depois os caras botaram esses genes dentro de um “neurônio receptor olfativo” (ORN) de moscas-das-frutas (drosófila), que havia sido “esvaziado” de suas proteínas odoríferas originais (chamado “neurônio vazio”). E depois testaram cada um desses genes contra um cardápio de 110 odores, para identificar qual tipo de odor ativava qual tipo de gene, e com qual intensidade. Moleza né? Tira gene de mosquito, bota gene na mosca, solta um odor, vê como o gene reage e tá tudo certo.

Resultado: Chegaram a um dataset de 5.500 combinações odor-receptor, que detalham como o Anopheles gambiae rastreia suas vítimas pelo cheiro.

Imagine só!
Às vezes o caminho é mais interessante que o destino.