NASCE UMA ESTRELA

NASCE UMA ESTRELA

Herton Escobar

14 Julho 2010 | 14h38

ESO/L. Calçada/M. Kornmesser

ESO/L. Calçada/M. Kornmesser

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Quer saber como era a cara do nosso Sistema Solar uns 4,5 bilhões de anos atrás, quando o Sol tinha acabado de “nascer”? Dá uma olhada nessa imagem aí de cima … É uma ilustração cientificamente fictícia, baseada na imagem verdadeira aí de baixo, que é a peça principal de um trabalho científico divulgado hoje pela revista Nature.

Elas mostram o nascimento da estrela IRAS 13481-6124, que fica na constelação de Centauro, a cerca de 10 mil anos-luz da Terra. A imagem abaixo parece muito simples para nós, mas, na verdade, ela é bastante complexa e está super recheada de informações científicas que, segundo os pesquisadores, comprovam a teoria de que as estrelas grandes (de maior massa) são formadas da mesma forma que as estrelas pequenas (de menor massa), como o nosso Sol. Isto é, por meio da aglomeração e compactação de matéria (moléculas de gás hidrogênio e hélio, principalmente) no centro de discos protoestelares de gás e poeira.

Já era fato que as estrelas de menor massa se formam dessa maneira. Mas não havia evidências definitivas, até agora, de que isso fosse fato também para as estrelas maiores, com mais de dez vezes a massa do Sol. Uma hipótese alternativa era de que elas poderiam ser formadas pela fusão de duas ou mais estrelas menores.

A estrela IRAS 13481-6124, porém, tem 20 vezes a massa do Sol e 5 vezes o seu diâmetro, acabou de nascer e está claramente rodeada por um disco de gás e poeira. O próximo passo seria a formação de planetas dentro desse disco, também por meio da aglomeração e compactação de matéria (que foi como se formaram a Terra, Mercúrio, Vênus, Júpiter, Saturno, etc).

Perguntei ao autor do estudo, Stefan Kraus, da Universidade de Michigan, se essa era também a aparência do nosso sistema quando o Sol se formou, cerca de 4,5 bilhões de anos atrás. Ele disse que sim, mas acha improvável que se formem planetas ao redor da IRAS 13481-6124. Isso porque, tratando-se de uma estrela de massa 20 vezes maior, o “vento solar” de partículas produzido por ela será também muito mais forte. Tão forte que deverá varrer toda a matéria remanescente do disco para longe, sem que haja tempo suficiente para os planetas se formarem e se organizarem em órbitas estáveis.

Ainda assim, incrível.

Abraços a todos.

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ESO/S. Kraus

ESO/S. Kraus