Novo satélite ‘caça-planetas’ terá participação brasileira

Novo satélite ‘caça-planetas’ terá participação brasileira

Herton Escobar

21 Fevereiro 2014 | 09h09

FOTO: Projeto do Plato aprovado pela ESA, com um mosaico de 34 “minitelescópios” de 12 cm cada um. Crédito: ESA

Herton Escobar / O Estado de S. Paulo

A Agência Espacial Europeia (ESA) deu luz verde nesta semana para a construção de um novo satélite “caça-planetas”, chamado Plato, previsto para ser lançado até 2024. Cientistas de 23 países estão envolvidos no projeto, incluindo astrônomos e engenheiros brasileiros de várias instituições de pesquisa.

O custo total estimado da missão (incluindo projeto, construção, lançamento e operação do satélite) é de US$ 1 bilhão, segundo o astrônomo brasileiro Eduardo Janot Pacheco, pesquisador do Instituto de Astronomia da Universidade de São Paulo (IAG-USP) e representante do Brasil no comitê internacional do projeto (http://migre.me/hYQhx).

O objetivo principal do Plato, segundo ele, será encontrar planetas semelhantes à Terra (pequenos e rochosos) e que estejam na zona habitável de estrelas (numa distância que permita haver água líquida na superfície). “Será uma espécie de Corot, só que mais especializado em descobrir exoplanetas terrestres”, disse Janot ao Estado, referindo-se à outra missão caça-planetas da qual o Brasil participa, em colaboração com a França e outros países europeus (http://smsc.cnes.fr/COROT/).

O nome Plato é um acrônimo em inglês para “trânsitos planetários e oscilações estelares” – além de fazer uma referência ao filósofo grego Platão, que questionava o que eram aquelas “estrelas errantes” no céu noturno (os planetas!). O projeto foi selecionado no dia 19 pelo Comitê de Programas Científicos da ESA como uma de suas missões de porte médio para o período 2015-2025, dentro do programa Visão Cósmica (Cosmic Vision).

O projeto já havia sido apresentado à ESA alguns anos atrás, segundo Janot, mas foi rejeitado, porque já havia dois satélites caça-planetas no espaço naquele momento: o Corot, europeu, e o Kepler, da Nasa – ambos, agora, desativados. “Com o Corot e o Kepler fora de ação, abriu-se um espaço para a reapresentação do Plato”, afirma Janot.

Tecnologia. O Plato “enxergará” o cosmo por meio de um mosaico de 34 minitelescópios, de 12 centímetros de diâmetro cada, que poderão ser combinados de diversas formas para diferentes tipos de observação. Segundo Janot, será possível medir as características físicas (massa, raio e idade) de estrelas com extrema precisão, “como se o telescópio pudesse enxergar dentro das estrelas”. E, com base nisso, determinar também as características dos planetas em sua órbitas.

A meta é observar um milhão de estrelas ao longo de seis anos, usando variações de brilho para detectar a presença de planetas (técnica de trânsito, ou eclipse).

Mais de 1 mil planetas fora do sistema solar (extrassolares) já foram detectados nos últimos 20 anos. A maioria deles, porém, é formada por planetas gigantes gasosos, do tipo Júpiter, e que orbitam muito próximo de suas estrelas — tornando-os muito mais fáceis de serem detectados, porém muito mais inóspitos à vida. “É muito difícil ver o eclipse de um planeta do tamanho da Terra e com um período orbital de um ano”, afirma Janot. A redução que o planeta causa no brilho da estrela é ínfima, e ele só passa na frente dela um vez por ano (do ponto de vista de um observador na Terra). Por isso a necessidade de observar muitas estrelas simultaneamente por um longo período.

O custo do projeto, segundo Janot, será dividido entre os países parceiros. A parte que caberá ao Brasil terá de ser pleiteada pelos cientistas junto às agências de fomento e à indústria (trata-se de uma parceria entre pesquisadores e instituições, não entre governos, como no caso da adesão do Brasil ao ESO). “Vamos começar a passar o pires imediatamente, por todas as fontes possíveis”, avisa Janot. Ele estima que a contribuição brasileira ficará na faixa de EU$ 300 mil.

Há vários cientistas e engenheiros brasileiros envolvidos no projeto, ligados a instituições como USP, Mackenzie, Mauá e outras universidades federais e estaduais. Além da participação em pesquisas científicas, segundo Janot, eles deverão contribuir para a produção de software e hardware para o satélite.

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