PARAÍSOS NADA ARTIFICIAIS

PARAÍSOS NADA ARTIFICIAIS

Herton Escobar

26 Junho 2012 | 17h54

FOTO: © Roger Steene / Pteroidichthys amboinensis, uma espécie de peixe-escorpião, adornado com belas e bizarras “sombrancelhas” gigantes.

Dois pesquisadores da ONG Conservação Internacional lançaram hoje um livro de referência sobre peixes recifais do sudeste asiático — especialmente da região conhecida como Triângulo dos Corais, entre a Indonésia e as Filipinas, que é, de longe, a região de maior biodiversidade marinha do planeta. O livro traz descrições detalhadas de todas as 2.631 espécies conhecidas da região (incluindo 25 novas, descritas no livro pela primeira vez), ilustradas com mais de 3.600 fotos coloridas (algumas das quais eu copio aqui, como demonstração). É o livro que qualquer biólogo marinho que trabalha com peixes recifais asiáticos vai querer ter na mão quando mergulhar por lá. (Referência: Reef Fishes of the East Indies, University of Hawaii Press)

Os autores, Gerry Allen e Mard Erdmann, são duas “lendas” científicas do Triângulo dos Corais. Conhecem os peixes daquelas águas melhor do que ninguém.

No ano passado eu tive o prazer inesquecível de mergulhar no Triângulo dos Corais e posso dizer que não há paisagem mais linda debaixo d’água em lugar nenhum do mundo. Talvez nem acima dela … É uma explosão de cores e texturas tão intensa que chega a atordoar os sentidos. Foi um dos lugares que eu disse para mim mesmo, “preciso conhecer antes que seja destruído”. Conheci. E, felizmente, há pessoas como Gerry, Mark e outros que estão lutando bravamente, por meios científicos, políticos, educativos, etc, para evitar que ele seja destruído.

Uma das regras básicas da conservação é que, “para proteger, é preciso conhecer”. Então, conheçam.

Abraços a todos.

Para ler as reportagens que publiquei sobre o Triângulo dos Corais:

Biodiversidade no Triângulo dos Corais

O DNA da biodiversidade

Educação ambiental viaja de barco

FOTO: © Gerald Allen / Uma das 25 novas espécies do livro, Pterapsaron longipinnis, que vive em águas recifais profundas (abaixo de 60 m) e usa suas longas nadadeiras peitorais para se apoiar no leito marinho como um tripé.

FOTO: © Roger Steene / Histiophryne psychedelica, conhecido como “peixe-sapo psicodélico”, incubando ovos.

FOTO: © Roger Steene / Um “peixe-cobra”, Brachysomophis cirrocheilos, tentando engolir um linguado maior do que a sua boca. O paraíso é lindo, mas também é cheio de predadores.