Parque Nacional da Serra da Capivara volta a funcionar

Parque Nacional da Serra da Capivara volta a funcionar

Funcionários voltaram a trabalhar hoje, com promessa de recursos do governo do Piauí e do ICMBio para a semana que vem.

Herton Escobar

01 Setembro 2016 | 20h21

Parque Nacional da Serra da Capivara. Foto: Tiago Queiroz/Estadão

Parque Nacional da Serra da Capivara. Foto: Tiago Queiroz/Estadão

Boa notícia: O Parque Nacional da Serra da Capivara (PNSC) voltou a funcionar normalmente hoje, com a promessa de que novos recursos serão transferidos para sua operação à partir da semana que vem. Todos os 32 funcionários da Fundação Museu do Homem Americano (Fundham) que estavam parados, de aviso prévio desde o dia 17, voltaram a trabalhar.

“A situação melhorou um pouco. O dinheiro ainda não está na conta, mas tudo indica que estará na semana que vem”, disse-me a coordenadora de projetos da fundação, Rosa Trakalo, em entrevista por telefone do escritório da Fundham em São Raimundo Nonato, no Piauí.

A expectativa é receber R$ 858 mil do governo do Piauí e R$ 970 mil do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), órgão do governo federal responsável pela gestão dos parques nacionais. No total, R$ 1,8 milhão — suficiente para manter o parque pelos próximos seis meses, segundo Rosa. “Houve uma mobilização muito grande para trazer esses recursos”, conta ela. O governo do Estado não tem obrigação de financiar o parque, que é uma unidade federal, mas se ofereceu para ajudar diante da situação precária.


Considerado Patrimônio Mundial pela Unesco, o parque abriga centenas de sítios arqueológicos de extrema importância para o estudo do povoamento das Américas, com milhares de pinturas rupestres, pedras lascadas e outros vestígios dos primeiros habitantes do continente, com mais de 20 mil anos de idade — pelo menos!

Pinturas rupestres na Serra da Capivara. Foto: Tiago Queiroz/Estadão

Pinturas rupestres na Serra da Capivara. Foto: Tiago Queiroz/Estadão

O parque não chegou a fechar as portas, mas funcionava de forma precária há duas semanas, apenas com alguns guarda-parques do ICMBio (também com salários atrasados) para cuidar das guaritas. Desde 1986, a gestão do parque é compartilhada com a Fundham, da arqueóloga Niède Guidon, que recebe recursos federais para cuidar da visitação, manutenção, supervisão da pesquisa e outros serviços básicos da unidade.

Por causa de um problema jurídico-burocrático relacionado à renovação do termo de parceria com o ICMBio (vencido no final de 2015), a fundação estava sem receber recursos há vários meses. No dia 15 deste mês, depois que um juiz negou a liberação de repasses sem a renovação do contrato, Niède começou a dar aviso prévio as funcionários. Não havia mais dinheiro para pagar salários nem para a manutenção mínima das condições de trabalho no parque.

“Não faltaram avisos da nossa parte”, disse a arqueóloga. Em uma entrevista na semana passada, ela afirmou que, se não entrassem novos recursos até o dia 31 de agosto, ela teria que demitir todos os funcionários. Também avisou que denunciaria o descaso à Unesco.

Segundo Rosa, só nessa janela de duas semanas foi possível perceber um aumento na atividade de caça dentro do parque. Houve também uma tentativa de invasão e repelida pelos guarda-parques.

Passarelas permitem que turistas cheguem próximo das pinturas. Foto: Tiago Queiroz/Estadão

Passarelas permitem que turistas cheguem próximo das pinturas. Foto: Tiago Queiroz/Estadão

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