PERGUNTAR NÃO FAZ MAL …

PERGUNTAR NÃO FAZ MAL …

Herton Escobar

02 Abril 2010 | 18h25

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Olá. Em primeiro lugar gostaria de agradecer a todos os comentários feitos sobre o LHC (dois posts abaixo) e pedir desculpas por não ter respondido antes…. Eu estava viajando e sem acesso à internet durante toda a semana (sei que é difícil acreditar… mas felizmente ainda há lugares no mundo onde não pega celular, e esses são os meus favoritos).

Em segundo lugar, um update que já não é mais update de tão atrasado que está, mas mesmo assim: Como todo mundo já deve saber, o experimento do dia 30 deu certo e a turma de cientistas do LHC conseguiu produzir as tão desejadas colisões de prótons a 7 trilhões de eletronvolts (3,5 para cada próton). É, sem dúvida, um novo marco na história da física, e provavelmente apenas o primeiro de vários que o LHC ainda vai produzir ao longo de suas pesquisas.

E agora alguns comentários sobre os comentários:

Sobre o risco de o LHC destruir o universo, podem ficar tranquilos. Essas colisões ocorrem a todo momento no espaço (que só parece vazio, mas na verdade está lotado de partículas viajando e se chocando feito loucas à velocidade da luz em todas as direções) e continuamos vivos aqui para contar a história. O LHC não foi construído para criar coisas “novas”, mas para reproduzir fenômenos físicos que ocorrem naturalmente no universo, mas que nos falta (ou faltava) uma ferramenta tecnológica para estudá-los.

O objetivo principal das colisões, como bem observou um leitor, é quebrar esses prótons em pedaços para saber o que há dentro deles. Ou seja: do que eles são feitos. Além, disso, as colisões produzem algumas outras partículas subatômicas (menores do que um átomo) que só “existem” por alguns milésimos de milésimos de segundo. Elas são formadas e se desfazem quase que instantaneamente, mas são essenciais para nossa compreensão do universo (por razões que, confesso, são bastante difíceis de se compreender). É para isso que servem aqueles detectores gigantescos colocados ao longo do anel de aceleração dos prótons: para detectar essas partículas que são formadas nas colisões. (Esse aí da foto de cima é chamado ATLAS, que tem só 46 metros de cumprimento, 25 m de altura e 25 m de largura… do tamanho de uma catedral).

Também me impressiona como toda vez que se menciona a palavra “origem” ou “evolução” em um post, aparecem críticas de criacionistas dizendo que o homem está querendo “brincar de deus” e coisas desse tipo. Ora…. simplesmente não consigo entender como pesquisar a origem e o funcionamento do universo vai contra a existência de Deus. A não ser que você negue completamente a leis da física e diga que nosso universo é um universo sem regras, que não pode ser explicado. Se você “acredita” que as coisas são feitas de átomos, que esses átomos funcionam e interagem entre si de acordo com regras básicas da física (como a gravidade), e que é possível prever a trajetória, o peso e a força de impacto de uma maçã quando ela cai da árvore, então tem de “acreditar” também que é possível explicar a trajetória e as forças que regem o movimento das galáxias, das estrelas, dos planetas e do universo como um todo.

Entender como o universo se formou e como ele funciona não exclui a existência de Deus. Uma coisa simplesmente não tem nada a ver com a outra. Assim como entender como um relógio funciona não significa dizer que as peças que o compõe não tenham sido fabricadas por alguém. Talvez as leis da física sejam uma criação de Deus. Talvez elas sejam uma criação da natureza. Mas elas existem!

Se Deus não quisesse que fizéssemos perguntas, acho que não teria nos dado a inteligência para fazê-las.

Abraços a todos.