Pescado: cuidado para não comprar uma espécie ameaçada

Pescado: cuidado para não comprar uma espécie ameaçada

Herton Escobar

25 Maio 2013 | 10h20

FOTO: Helvio Romero/Estadão

Herton Escobar / O Estado de S. Paulo

Atenção na hora de comprar o peixe. Um levantamento feito pela organização SOS Mata Atlântica em dezenas de peixarias paulistanas encontrou 74 espécies de pescado sendo comercializadas, incluindo algumas ameaçadas de extinção ou em período de reprodução (defeso), quando a pesca é proibida.

Dois biólogos contratados pela ONG visitaram 66 pontos de venda de peixes e outros frutos do mar nos meses de abril e maio, em todas as regiões de São Paulo. A proposta era registrar a diversidade do pescado vendido na cidade e o nível de conhecimento dos vendedores sobre os produtos. Descobriram que o conhecimento é limitado e que há pouca informação disponível para os consumidores interessados em fazer um consumo mais responsável.

“Há muito pescado por aí, mas pouca gente sabe a origem ou os impactos ambientais por trás da pesca de determinadas espécies”, diz a bióloga Camila Keiko Takahashi, da Fundação SOS Mata Atlântica. “Precisamos informar o consumidor para que ele possa fazer escolhas mais conscientes.”

Muitos consumidores, por exemplo, não sabem que cação é a mesma coisa que tubarão; e nenhum dos peixeiros entrevistados soube dizer qual espécie estava vendendo – um fator preocupante, considerando que há 12 espécies de tubarão ameaçadas no Brasil.

Nesta semana, coincidentemente, a Polícia Federal apreendeu na Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp) 700 kg de peixes identificados como raia-viola, uma espécie ameaçada de extinção, cuja pesca é proibida.

O levantamento da SOS também encontrou 35 estabelecimentos vendendo tainha em período de defeso. Um peixe encontrado em 100% das feiras foi a sardinha, cuja comercialização é legal, mas é uma espécie que já foi levada quase ao colapso pelo excesso de pesca.

Os resultados serão debatidos hoje no evento Viva a Mata, no Parque do Ibirapuera, gratuito e aberto ao público.

FOTO: Raia-viola apreendida pela PF no Ceagesp. Crédito: Agência PF/Divulgação