SOBRE O DIREITO DE MORRER

SOBRE O DIREITO DE MORRER

Herton Escobar

05 Dezembro 2010 | 00h46

FOTO: Valeria Gonçalvez/AE

Notícia de hoje no Estadão: “Justiça Federal derruba liminar e libera prática da ortotanásia no País”

Uma coisa eu nunca entendi nessas discussões sobre eutanásia, ortotanásia, e até suicídio … Como é que o Estado pode me proibir de encerrar minha própria vida? Afinal, o dono da minha vida sou eu, apenas eu, e mais ninguém! E se eu, por algum motivo qualquer, não quero mais viver, então quem é o Estado para dizer que eu não posso acabar com a minha própria vida? Eu por acaso sou obrigado a viver?? Mesmo que esteja sofrendo numa cama de hospital, sem qualquer esperança de cura, ligado a um monte de aparelhos??

É claro que a eutanásia e a ortotanásia não podem ser banalizadas. É claro que o Estado e a medicina têm de fazer sempre o máximo possível para salvar um paciente … Mas e se o paciente não quiser ser salvo? É claro que deve haver regras claras para evitar abusos e delírios. É preciso ter certeza absoluta que não há mais opções de tratamento, de que não há mais esperança de cura, e que o paciente não está pedindo para morrer por puro desespero, induzido pela dor ou pela tristeza. Nenhuma dessas cautelas, porém, justifica uma proibição da morte, na minha opinião.


Espero nunca me encontrar numa situação dessas, e lamento por aqueles que são confrontados com uma decisão tão difícil. Mas acho que as pessoas têm o direito de morrer, se assim quiserem. Só isso.

Apenas uma reflexão.

Abraços a todos.