Quer fazer Jornalismo em Berkeley? Compre um Mac.

Quer fazer Jornalismo em Berkeley? Compre um Mac.

Escola de Jornalismo da Califórnia aboliu o uso de PCs em 2005. Alunos são obrigados a ter MacBooks para participar das aulas.

Herton Escobar

09 Setembro 2014 | 23h39

Foto: Auditório da J-School, Berkeley. Crédito: Herton Escobar

No dia em que a Apple apresentou seus novos iPhones e os inéditos Apple Watches, no Vale do Silício, a poucos quilômetros de onde estou, aqui vai uma curiosidade dos bastidores da notícia, sobre como essa empresa vem revolucionando não só a maneira de consumir, mas também de produzir informações:

Todos os computadores que aparecem na sala de aula desta foto são Macs. E não é por acaso. Para ser aluno na Escola de Jornalismo (J-School) da Universidade da Califórnia Berkeley, é obrigatório ter um MacBook dentro da mochila – literalmente. Se você é um daqueles que prefere trabalhar com Windows, sinto muito: aqui, só entra Mac.

A padronização existe desde 2005, quando a diretoria da J-School decidiu abolir os PCs de suas salas de aula, redações e escritórios, para se transformar uma escola “100% Apple”. “Optamos por padronizar nosso currículo, e percebemos que, para fazer isso, precisávamos padronizar também nosso hardware e software”, conta o diretor de Tecnologia da J-School, Roy Baril. Quando chegou a hora de escolher entre um sistema e outro, para ele não houve dúvida: Apple!

“Gerenciar um sistema baseado em Windows é muito mais trabalhoso”, diz. “De um dia para outro nos livramos de um monte de problemas operacionais, relacionados a vírus, travamentos e outras complicações.”

Houve reclamações, claro, mas foi uma decisão técnica. Até então, havia uma mistura de Macs e PCs na escola, e cada aluno usava aquele de sua preferência. À medida que o jornalismo foi se tornando cada vez mais digital, e os softwares de edição de imagem se tornaram cada vez mais sofisticados, essa mistureba de sistemas operacionais se tornou um problema para os professores. Alguns programas não estavam disponíveis ou não funcionavam da mesma forma nos dois sistemas; cada PC tinha uma configuração diferente; alunos tinham dificuldade para compartilhar arquivos; professores às vezes tinham que ensinar duas ou três maneiras de fazer um mesmo procedimento, dependendo da máquina.

“A padronização deixou tudo mais simples”, diz o professor Jeremy Rue, especialista em jornalismo digital. “Os produtos da Apple são mais padronizados do que os da Microsoft, então sabemos que todo mundo está trabalhando com a mesma ferramenta, e você só precisa explicar uma vez como ela funciona.”

Entre 2005 e 2013, a escola manteve desktops (iMacs) à disposição dos alunos. A partir do ano passado, passou a ser obrigatório cada aluno trazer o seu próprio laptop. A lógica, segundo Rue, é que é praticamente impossível fazer jornalismo hoje sem um laptop – todo jornalista precisa ter um, então é melhor que já aprenda a trabalhar diretamente com ele.

Nas primeiras semanas do curso, todos os novos alunos (independentemente da sua área de especialização, seja TV, rádio, online ou impresso) passam por um “bootcamp” de treinamento intensivo no uso de ferramentas multimídia, tanto de hardware (câmeras fotográficas e de vídeo) quanto software (Photoshop, Premiere e outros programas de edição de imagem, produção de gráficos, mapas, etc). Tudo via Mac, e via Google.

Nada de livros, cadernos, lápis ou canetas. As únicas exigências para aprender a ser um jornalista multimídia aqui são um MacBook e uma conta de Gmail. Novos tempos do jornalismo. Imagine só!

Gostou? Compartilhe! Siga o blog no Twitter: @hertonescobar; e Facebook: http://goo.gl/3wio5m