Com um arpão na mão e uma mangueira entre os dentes

Com um arpão na mão e uma mangueira entre os dentes

REPORTAGEM ESPECIAL: Pesca de mergulho / Conheça as histórias dos pescadores do sul da Bahia que arriscam a vida mergulhando fundo para encontrar os melhores peixes, cada vez mais raros nesses ecossistemas recifais

Herton Escobar

09 Fevereiro 2014 | 07h00

por Herton Escobar (textos) e Jonne Roriz (fotos) / O Estado de S. Paulo

CARAVELAS, BA

A crise mundial da pesca está forçando pescadores brasileiros a mergulhar cada vez mais fundo, literalmente, em busca dos melhores peixes. Na região dos Abrolhos, no extremo sul da Bahia, não são poucos os que se arriscam em altas profundidades, com apenas um arpão na mão e uma mangueira de ar entre os dentes, em busca dos grandes badejos e garoupas, entocados nos recifes, que nem as redes nem os anzóis conseguem puxar da superfície – e que praticamente já desapareceram de águas mais rasas, pescadas à exaustão ao longo das últimas décadas.

A prática é conhecida como pesca de mergulho, ou pesca de compressor. E é tão arriscada quanto lucrativa. O ar é bombeado da superfície por compressores acoplados ao motor do barco, em vez de carregado nas costas em um cilindro, como num mergulho tradicional. Isso permite que os pescadores passem muito mais tempo debaixo d’água – essencialmente, o tempo que quiserem. E isso traz à tona uma série de riscos.

Não são raros os relatos de mortes por afogamento e de pescadores lesionados pelas bolhas de nitrogênio que se formam em seu corpo quando passam tempo demais no fundo e sobem rápido demais para a superfície – uma complicação clássica do mergulho com ar comprimido, chamada doença descompressiva. Se derem o azar de alguma bolha ficar alojada numa articulação, podem ficar com os movimentos comprometidos permanentemente, ou até paralisados. Em casos mais graves, as bolhas podem cair na circulação e bloquear o fluxo de sangue para o pulmão ou para o cérebro, causando embolias, que podem levar à morte.

Além disso, há sempre o risco de o motor apagar no meio do mergulho (cortando o bombeamento de ar), de a mangueira se romper ou ficar enroscada nos recifes, ou até de uma baleia se enroscar nela e arrastar o mergulhador para longe, como já aconteceu com Zeca, um dos vários pescadores-mergulhadores com quem o Estado conversou na região, no início deste ano, para compor essa reportagem (alguns nomes foram alterados para preservar a identidade dos entrevistados).

Ao sentir o primeiro puxão na mangueira, Zeca até achou que era o barco que estava indo rápido demais. Mas não. Alguns segundos depois, ele estava sendo arrastado pelo fundo do mar como um peixe preso a um anzol, “fisgado” pela mangueira que, por segurança, ficava sempre presa ao seu cinto. Assustado, olhou para cima e viu que o objeto que o rebocava não era o barco, e sim uma baleia – uma das milhares de jubartes que frequentam a região dos Abrolhos todos os anos entre os meses de junho e dezembro, para se reproduzir. “Só vi a barrigona branca dela. Tinha uns 15 metros de comprimento”, calcula Zeca.

Em um determinado momento, a mangueira se rompeu e ele ficou livre da baleia, mas também do seu suprimento de ar. Estava a uns 25 metros de profundidade. Soltou o cinto de lastro da cintura e subiu com o oxigênio que lhe restava nos pulmões. Calcula que demorou uns dois minutos para chegar à superfície; quase sem ar, mas vivo. “O pessoal do barco achava que eu tinha morrido”, conta.

Passado o susto, alguns minutos depois ele já estava mergulhando de novo para recuperar o arpão que ficara perdido no fundo do mar. “Um negócio desses não vai acontecer de novo, né?”, indaga, como alguém que tivesse sido atingido por um raio. Incrivelmente, porém, aconteceu. Não com ele, mas com um de seus irmãos – um dos quais, aliás, quase ficou paraplégico recentemente, por conta de um outro acidente de mergulho.

Leia a reportagem completa, com mais relatos de mergulhadores, vídeos e fotos, neste link: Com um arpão na mão e uma mangueira entre os dentes

ZONA DE RISCO. É normal os pescadores de compressor descerem a até 50 metros de profundidade – 10 a mais do que o limite padrão de segurança do mergulho recreativo com cilindro – e ficarem vários minutos caçando por lá, entre os recifes mais profundos que pontuam a plataforma continental de Abrolhos. Vale tudo para arpoar um badejo ou uma garoupa de bom tamanho.

Nas ruas que levam ao porto de Alcobaça, considerado o maior centro desse tipo de pesca na região, não é preciso circular muito para topar com histórias de vítimas desse desafio às profundezas. Jorge, por exemplo, é a personificação de uma delas. Ele perdeu quase todo o movimento das pernas por causa de um acidente de mergulho18 anos atrás. “Eu já tinha feito três mergulhos na faixa de 40 a 50 metros (de profundidade); aí um colega desceu e voltou com uns seis peixes legais pro barco, mas acabou deixando um badejo lá no fundo, então eu desci pra pegar”, conta o pescador, de 50 anos.

Passados uns 10 minutos, uma de suas pernas começou a ficar dormente. E no mergulho seguinte, a outra perna também. De volta à terra, Pepéu até foi levado para uma câmara de pressurização (hiperbárica) no Rio de Janeiro, mas o tratamento não foi completo, e as sequelas não só ficaram como se agravaram com o tempo. Hoje, Jorge tem as duas pernas atrofiadas e com capacidade motora limitada. Mal consegue andar, mas nem por isso parou de mergulhar. “É uma paixão. A sensação quando você chega no fundo e vê os peixes é muito boa”, justifica. “Se nosso mundo fosse igual ao fundo do mar não teria tanta violência, não teria guerra.”

Ele diz que já mergulhou a 72 metros de profundidade. “Desci para pegar uma espingarda (arpão) que tinha caído numa buraca; aí vi uns bichos lá embaixo e comecei a trabalhar”, relembra, como se falasse de um passeio no parque. Em outra ocasião, ele conta que ficou sem ar a 45 metros de profundidade, por causa de um erro do mangueirista na superfície, que deixou a mangueira correr por baixo do barco e ser cortada pela hélice. “Subi que nem um louco, engolindo água no caminho”, diz. “Vira e mexe morre alguém desse jeito, mas fazer o quê, né? Um eletricista quando toma choque não para de trabalhar.”

“Até 2010 morriam uns cinco, seis caras por ano no compressor. Aí o pessoal começou a ficar mais cuidadoso”, relata Zeca, que mora em Caravelas, um pouco mais ao sul Porto Seguro do que Alcobaça.

Ainda assim, acidentes acontecem. Um de seus irmãos está de muletas, “com as pernas fracas”, depois de tentar desenganchar uma âncora do fundo do mar durante um mergulho. “Não pode fazer esforço no fundo que o corpo fica cheio de bolhas”, explica Zeca. “Gastamos uma nota para colocar ele numa câmara hiperbárica e por pouco ele não morreu. Com o compressor é assim, não pode vacilar que você morre ou fica aleijado.”

Foi a segunda vez que o irmão precisou fazer uma descompressão de emergência. Assim como Jorge, porém, ele continua a mergulhar, apesar dos “choques” sofridos no percurso.

CUSTO-BENEFÍCIO. Além da paixão pelo fundo do mar, há o estímulo financeiro para continuar mergulhando. “Tem várias artes de pesca, mas a de compressor é a que dá mais dinheiro”, compara Zeca. “Num dia ruim, você tira 50 quilos de peixe. Num dia bom, você tira 200 kg. Eu mesmo já tirei mais de 500 kg uma vez.”

Mesmo com o “desconto padrão” que se aplica tradicionalmente a qualquer história de pescador, os números impressionam. Franco, um dos mergulhadores mais experientes da região, tinha acabado de chegar de uma viagem de pesca de compressor quando o Estado encontrou com ele em Caravelas. Depois de seis dias no mar, voltou com uma carga de 1,5 tonelada de peixes no porão do barco, avaliada por ele em R$ 10 mil.

Segundo Franco, a pesca de mergulho tem a vantagem de permitir ao pescador selecionar o peixe que vai matar. “É uma pesca muito mais seletiva do que a de rede ou anzol; você literalmente escolhe o que vai pegar”, diz. “Eu sempre pego os grandes e deixo os pequenos, para voltar lá e pegar depois, quando já estiverem crescidos. Tem pedra que eu pesco há 20 anos, para você ter uma ideia; e sempre que volto lá tem peixe.”

As espécies mais caçadas são os badejos, as garoupas, os vermelhos e dentões, que têm maior valor de mercado. Em águas mais profundas, onde há poucos abrigos para os peixes, é possível encontrar vários deles agregados em torno de uma única “pedra”, como os pescadores costumam se referir aos recifes que ocorrem de forma mais isolada em Abrolhos.

“Eu conheço pedra por pedra nessa região, e sei onde os peixes ficam em cada uma delas”, diz um pescador de Alcobaça, Cicinho, que tem uma coleção de caderninhos “secretos” anotados com milhares de coordenadas de GPS – que ele calcula valer uns R$ 100 mil no mercado de pontos de pesca que existe entre os pescadores. Ele mergulha com compressor há 20 anos e diz nunca ter sofrido um acidente grave. “Tive problemas só nos primeiros anos. Agora a gente mergulha com tabela, para minimizar os riscos.” Outros mergulhadores mais experientes dizem a mesma coisa.

“A regra básica de segurança é trabalhar com material bom e respeitar o tempo de mergulho”, afirma Cicinho. “Não importa se você não pegou peixe nenhum; a hora que bater o tempo da tabela, você tem que subir.” A maioria dos acidentes, segundo ele, ocorre por falta de experiência ou displicência dos mergulhadores. “A maioria que morreu foi por isso, porque quis pegar tudo de uma vez. Eu não fico enrolando não; é cair numa pedra, caçar e subir.”

“Para quem sabe o que faz, o mergulho é tão seguro quanto qualquer outra prática de pesca”, afirma Franco.

FOTO: Caderno com pontos de pesca anotados, em coordenadas de GPS.

AFOGADO. Vez ou outra, alguém desce, mas não sobe mais. Foi o que aconteceu com Álvaro de Jesus Farias, um pescador de Caravelas conhecido como Negão, apesar do corpo franzino, que pesava pouco mais de 50 quilos. Ele morreu em 9 de setembro de 2009, num mergulho de compressor, a apenas 10 metros de profundidade.

“Ele era tão inexperiente que mergulhou num valão (uma passagem estreita entre os recifes) e não percebeu a mangueira se enroscando nas pedras”, relata sua ex-mulher, Celimaria, que ainda chora ao lembrar da história e pergunta por que ele foi tão teimoso em ignorar seus avisos. “Eu pedia sempre para ele não mergulhar, que era perigoso, mas ele mergulhava escondido. Ele via a fartura do badejo que o pessoal de Alcobaça pegava e queria ganhar dinheiro logo, subir na vida. Nosso sonho era comprar um barco maior e abrir uma peixaria.”

Negão era um pescador de mão cheia na superfície – “abençoado no mar”, segundo Celimaria –, mas não tinha nenhuma experiência debaixo d’água. Mergulhou sem uma faca; e porque era magrinho, amarrou a ponta do cinto de lastro com um fio de nylon, para não deixa-la solta. Quando a mangueira foi apertada contra os recifes, cortando seu suprimento de ar, e ele precisou abrir o cinto para se soltar dela, não conseguiu. “Ele sempre dizia: ‘Sou do mar e vou morrer no mar’”, relembra Celimaria. “Foi o que aconteceu.”

 

IMPACTO. A pesca de mergulho com compressor tem potencial para ser a forma mais seletiva e sustentável de pescaria no mar, desde que a seleção dos peixes seja feita de forma ecologicamente correta, sem prejuízo para a reprodução das espécies. O problema no caso das garoupas e badejos, que são os alvos favoritos dessa atividade, é que os peixes mais visados pelos caçadores são justamente aqueles que não se deveria matar, segundo o biólogo Matheus Freitas, especialista nessas espécies.

Os badejos, garoupas, chernes e outros peixes da mesma família, chamada Epinephelidae, são hermafroditas. Todos nascem fêmeas, e apenas alguns indivíduos se tornam machos dentro de uma população ao longo do tempo. São, normalmente, os peixes maiores e, portanto, os mais cobiçados pelos caçadores.

“Quando o pescador mergulha, ele seleciona os maiores peixes, que têm o maior valor agregado. Se você pensar que, para essas espécies, os peixes maiores são quase sempre os machos, o impacto dessa seleção na dinâmica populacional é potencialmente muito grande”, afirma Freitas, pesquisador da Rede Abrolhos e presidente do Instituto Meros do Brasil. “Estão matando as galinhas dos ovos de ouro. Você pode ter o número de fêmeas que quiser, ovulando por toda parte; se não tiver um macho para fertilizar todos esses óvulos, não adianta nada.”

Nessas espécies, segundo ele, a proporção é de um macho para cada dez fêmeas, podendo chegar a 1 para 15. Quando um macho é removido da população, uma fêmea dominante muda de sexo para ocupar seu lugar, mas essa transformação não é imediata, e seu efeito prático só será sentido no ciclo reprodutivo do ano seguinte. As garoupas e badejos normalmente vivem dispersos, e só se reúnem em locais e momentos específicos de cada ano para formar grandes cardumes, conhecidos como agregações reprodutivas, em que os gametas (óvulos e espermatozoides) são liberados simultaneamente na água, deflagrando um processo de fertilização em massa.

Por esse e outros fatores, Freitas defende que a pesca de mergulho com compressor seja regulamentada, ou até mesmo proibida, com tamanhos mínimos e máximos de captura estabelecidos para cada espécie.

LEGALIDADE. Do ponto de vista legal, a pesca de compressor navega por uma área cinzenta. A atividade é proibida explicitamente para a pesca da lagosta, mas não há nenhuma regulamentação sobre ela para a captura de peixes – nem permitindo, nem proibindo. “É uma pesca marginalizada”, resume Freitas. Procurado pelo Estado, o Ministério da Pesca e Aquicultura disse que a prática é irregular.

Segundo Freitas, não há nenhuma instrução normativa ou outro instrumento legal que estabeleça períodos ou tamanhos mínimos (muito menos máximos) de captura dessas espécies na região dos Abrolhos. A única exceção é um acordo de pesca firmado pelos comunitários da Reserva Extrativista Cassurubá, de abril de 2013, que estipula tamanhos mínimos de captura por pesca de mergulho para seis espécies, incluindo o badejo (63 cm), a garoupa (39 cm) e o dentão (34 cm).

Abrolhos, segundo ele, é a única região do Brasil onde ainda é possível encontrar essas espécies em números minimamente significativos comercialmente – e só porque os pescadores estão se arriscando em águas mais profundas e distantes para caçá-las. A “sorte” de Abrolhos, conclui Freitas, é que as agregações reprodutivas ocorrem no inverno, justamente nos meses de pior condição meteorológica para navegação e pescaria. Ainda assim, todas são consideradas ameaçadas em escala regional pela União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN).

PAPAGAIO AMEAÇADO. A espécie que mais preocupa os biólogos e ambientalistas atualmente é o budião-azul, um simpático peixe-papagaio que é fácil de ser arpoado e, para sua infelicidade, tem uma carne consistente e saborosa ao paladar humano. Até a virada do século, ele vivia tranquilo, em abundância, nos recifes da região. Nos último 15 anos, porém, à medida que os estoques de outros peixes tradicionais da pesca foram minguando em águas mais rasas e acessíveis, ele foi ganhando espaço no menu comercial dos caçadores, tornando-se uma das espécies mais pescadas dos Abrolhos; item básico no cardápio de todos os restaurantes da região.

“É um caso clássico de destruição da cadeia trófica (alimentar)”, afirma Freitas. “Os recursos do topo da cadeia vão se exaurindo e os predadores – neste caso, os seres humanos – começam a pescar nos níveis mais baixos. O budião só entrou no cardápio da pesca porque os outros peixes começaram a desaparecer.”

As garoupas são peixes carnívoros. Já os papagaios, como o budião-azul, são herbívoros. Eles usam seus bicos – parecidos mesmo com o de um papagaio – para se alimentar das algas que crescem sobre os recifes e competem por luz e nutrientes com os corais, como se fossem ervas daninhas num jardim. É um serviço indispensável para a saúde dos ecossistemas recifais, com implicações para a sobrevivência de várias outras espécies. A experiência mostra que, na ausência desses herbívoros, o risco é grande de os recifes de coral se transformarem em “matagais marinhos”, cobertos de algas.

Os budiões podem ser capturados com redes nos recifes mais rasos, durante a maré baixa, por meio de uma técnica de cerco. Mas o que está “maltratando” mais a espécie é a pesca de mergulho – não só de compressor, mas também de apneia –, segundo o um dos pescadores mais tradicionais de Abrolhos. “De rede, a gente pesca o budião só na maré de lua, a cada 15 dias. Não pesca, todo dia”, diz Dilson Cajueiro, o seu Mandi, de 59 anos, nascido e criado nas praias de Caravelas. “O que maltrata mesmo é o mergulho, que mata todo dia e mata muito budião pequeno, que não dá nem um palmo de tamanho.”

Ele  reconhece que a quantidade do peixe diminuiu muito nos últimos anos. “Se você só tira, tira, tira toda hora e não planta nada no lugar, não tem jeito mesmo. Uma hora acaba”, raciocina seu Mandi, que diz ter sido “o primeiro a tirar filé de budião” em toda a região, muito antes de o peixe ter virado moda. Segundo ele, não é preciso parar de pescar, mas respeitar tamanhos mínimos de captura — como ele mesmo diz fazer e ensinar aos seus filhos.

“A situação do budião é urgente”, corrobora Freitas. Segundo ele, há uma expectativa grande de que a espécie seja incluída na nova lista de fauna ameaçada de extinção do Brasil, que está sendo elaborada pelo Ministério do Meio Ambiente. Pela IUCN, ele já é classificado globalmente como “em perigo”.

Segundo Guilherme Dutra, diretor do Programa Marinho da ONG Conservação Internacional (CI-Brasil), que opera em Caravelas, em 2000 o budião-azul representava 30% da biomassa total (o conjunto de todos os seres vivos) dos recifes rasos de Abrolhos. “Hoje não sabemos qual é esse porcentual, exatamente, mas já foi reduzido a menos da metade, com certeza”, diz.

FOTO: Jorge tem dificuldade para andar por causa de uma acidente de mergulho.

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