REPÓRTER VIAJANTE: HIMALAIA

REPÓRTER VIAJANTE: HIMALAIA

Herton Escobar

27 Novembro 2011 | 11h02

Hoje foi publicada no Estadão a sexta reportagem especial da série Repórter Viajante, sobre o impacto do aquecimento global sobre as geleiras do Himalaia – um dos temas mais “quentes” e polêmicos relacionados às mudanças climáticas, por causa de um erro cometido pelo IPCC (órgão internacional de cientistas que assessora as Nações Unidas sobre esse assunto) em seu último relatório, prevendo as geleiras corriam sério risco de desaparecer até 2035.

Dizer que essa previsão era furada, foi fácil. Fazer uma previsão cientificamente consistente para corrigí-la, não foi nada fácil. A relação entre o aquecimento global e o derretimento das geleiras do Himalaia é uma história extremamente complexa (assim como todas as outras sobre as quais eu escolho escrever, por alguma razão sadomasoquista que foge à minha própria compreensão).

Depois de muita apuração, vi-me diante de um desses cenários clássicos de “copo meio cheio, meio vazio”.  Por um lado havia uma boa notícia: a confirmação de grande parte do gelo “eterno” do Himalaia parece ser mesmo eterno e que as geleiras não vão, mesmo, desaparecer – nem nos cenários mais críticos de que aquecimento da atmosfera. Por outro lado, isso não significa que as mudanças climáticas trazidas pelo aquecimento não terão impactos significativos sobre a região – especialmente sobre os povos tradicional das montanhas, que têm uma relação de sobrevivência muito íntima com a natureza. Só porque as geleiras não vão desaparecer por completo, não significa que não haja razão para preocupação.

Então, o que fazer? Abrir a matéria focando na metade meio cheia ou meio vazia do copo? Acabei optando por focar na metade meio cheia por dois motivos: 1) porque era mais “hard news” (considerando que o IPCC acaba de publicar uma correção oficial ao seu relatório e que amanhã começa mais uma reunião internacional do clima, em Durban), e 2) porque eu sou um otimista incorrigível. A metade meio vazia, porém, ganhou um texto próprio, baseado nas minhas observações pessoais e conversas com os povos locais ao longo de quase 30 dias caminhando pelas montanhas da região.

Os textos publicados estão reproduzidos abaixo, para facilitar a leitura.

Com relação ao erro do IPCC, não tive espaço para entrar em detalhes sobre porque isso aconteceu, mas quem se interessar pode ler esse artigo publicado algum tempo atrás no fórum Climate Change & The Media, da Universidade de Yale. Bastante informativo. O referido capítulo do relatório que trata das geleiras do Himalaia pode ser acessado aqui:IPCC AR4 Cap. 10.6.2 The Himalayan glaciers

Acho que o mais importante nesse caso é ressaltar que o erro do IPCC nesse caso foi um tanto grotesco, sim, mas foi um erro pontual, em um pequeno capítulo, dentro de um relatório de quase mil páginas, envolvendo milhares de fontes e trabalhos de referência. Ou seja, não invalida de maneira nenhuma as conclusões gerais da ciência relacionada ao aquecimento global e às mudanças climáticas. Todo ser humano, toda empresa e toda organização comete erros: eu, você, o Estadão, a Folha, o IPCC, etc.

O importante é reconhecer esse erros e corrigí-los quando eles são detectados (e nisso o IPCC merece um puxão de orelha, pois foi bastante orgulhoso e resistente na maneira que lidou com essa situação — em especial seu presidente, Rajendra Pachauri). Uma coisa é certa: o processo de edição e revisão do próximo relatório (previsto para 2013 ou 2014) será muito mais rígido. E isso é ótimo!

Abraços a todos.

E seguem as matérias …

FOTO: A geleira do Monte Lantang Lirung, no Parque Nacional de Lantang. Uma das muitas que está derretendo rapidamente na região. (note o rastro profundo deixado pelo recuo do gelo)

HIMALAIA DIVIDIDO: ENTRE O SOL E O GELO

Assim que leu o relatório de 2007 do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC) dizendo que as geleiras do Himalaia corriam “sério risco” de desaparecer até 2035, Koji Fujita sabia que algo estava errado. “Isso é loucura”, pensou o pesquisador japonês, um dos cientistas com mais experiência de campo nessa região alta e gelada do mundo. Ele sabia que a situação era ruim, mas não tão ruim assim. O problema é que nem ele nem ninguém tinha dados suficientes para dizer o que estava acontecendo de fato com a capa de gelo das montanhas naquele momento – muito menos o que viria a acontecer com ela no futuro.

Agora, passados dois anos desde que o erro no relatório do IPCC foi revelado e confirmado, no final de 2009, e um dia antes da abertura de mais uma conferência da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (a COP 17, em Durban, na África do Sul), o cenário é outro. Muitas das nuvens de desconhecimento que impediam os cientistas de enxergar o futuro das geleiras do Himalaia com um mínimo de claridade foram assopradas para longe pela força de novas pesquisas, realizadas com base em imagens de satélite, modelos computacionais e muitas horas de trabalho de campo no ar rarefeito das montanhas mais altas do planeta.

Muitas dúvidas ainda persistem, claro. Nuvens escuras e tempestuosas, adensadas por uma série de dificuldades políticas e logísticas que tornam o estudo das geleiras do Himalaia um desafio tão complexo quanto o das igualmente gélidas profundezas do oceano ou do espaço sideral. Mas um faixo de luz já se abre no horizonte, iluminando ao menos algumas conclusões sobre o estado de saúde do chamado “terceiro pólo” – a maior concentração de gelo e neve fora das regiões polares.

A principal delas é que os cientistas que acusaram o IPCC de estar errado estavam certos: as geleiras do Himalaia não vão, mesmo, desaparecer. Não todas elas, pelo menos. Nem em 2035, nem depois. Mesmo diante das previsões mais pessimistas de aquecimento da atmosfera, os dados indicam que grande parte da capa de gelo do Himalaia permanecerá à salvo do derretimento, protegida por um cobertor de ar frio que sopra permanentemente sobre seus picos mais altos. “As percepções de risco são um tanto exageradas”, avalia Fujita, professor da Universidade de Nagoya, recém-chegado de uma expedição de pesquisa às montanhas do Butão.

“As grandes geleiras não vão desaparecer, nem nos cenários climáticos mais catastróficos”, garante Arun Shrestha, do Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado de Montanhas (Icimod, em inglês), organização regional de pesquisa com sede em Katmandu, no Nepal.

Acima dos 5.400 metros de altitude, aproximadamente, a temperatura média nas montanhas do Himalaia nunca passa de zero – ou seja, é sempre congelante. Essa linha pode flutuar para cima ou para baixo de acordo com as condições climáticas, mas grande parte do gelo do Himalaia está suficientemente acima dela para garantir sua sobrevivência a longo prazo, explica Shrestha. No Nepal, metade das geleiras estão acima de 5.500 metros. Mesmo que aqui embaixo vire uma sauna, lá em cima continuará sendo um congelador. Uma rara boa notícia perdida nessa tempestade de maus presságios associados às mudanças climáticas.

O que não significa que a situação seja boa. O problema, na verdade, está mais embaixo.

MORRENDO DE CALOR

A má notícia é que muitas geleiras menores, em altitudes mais baixas, estão de fato derretendo em ritmo acelerado. Muitas já foram extintas, muitas outras deverão morrer de calor ainda nas próximas décadas, e as implicações disso para a biodiversidade e para os povos tradicionais das montanhas são enormes. “O risco maior é para as populações de altitudes médias, que dependem da água de nascentes para sobreviver”, avalia Shrestha.

As nascentes, que brotam por todos os lados nas montanhas, são abundantes, mas não são eternas. Elas são abastecidas por reservas naturais de água subterrânea que, por sua vez, são abastecidas pelo derretimento periódico de gelo e neve no topo das montanhas. Se a neve diminui e as geleiras derretem por completo, as nascentes secam. Simples assim.

Um estudo recente publicado na revista Annals of Glaciology pelo geógrafo Graham Cogley, da Universidade de Trent, no Canadá, estima que a região do “Grande Himalaia” – incluindo as montanhas associadas do Karakoram, sobre as quais flutuam as tumultuosas e altamente militarizadas fronteiras do Afeganistão, Paquistão, Índia e China – tinha aproximadamente 21 mil geleiras em 1985, contendo 4 trilhões a 8 trilhões de toneladas de gelo e cobrindo uma área do tamanho do Estado do Rio de Janeiro (43 mil km2). Desde então, Cogley estima que  um quinto dessas geleiras já pode ter desaparecido.

Outras centenas ou até milhares de geleiras poderão derreter nas próximas décadas, dependendo dos padrões de temperatura e de uma série de outros fatores climáticos, físicos e geográficos. Entre 1985 e 2010, segundo Cogley, o ritmo médio de degelo foi de 1,7% ao ano. No pior dos casos, a massa de gelo na região poderá ser reduzida entre um terço e dois terços até 2035, completa o pesquisador – fazendo, ele mesmo, a ressalva de que seus números são provavelmente “pessimistas demais”, devido às várias incertezas que permeiam os cálculos.

HOMEM VS. NATUREZA

Uma visita às montanhas do Himalaia na faixa dos 4 mil a 6 mil metros de altitude revela cenas dramáticas de geleiras em condições aparentemente mórbidas. Mesmo para um leigo que as vê pela primeira vez, parece óbvio que elas estão encolhendo. Algumas estão retrocedendo ao ritmo de mais de 50 metros por ano, segundo o Icimod. As evidências estão escancaradas nos enormes rastros de pedras trituradas que as massas de gelo deixam pelo caminho ao retroceder. Sulcos com dezenas de metros de profundidade, parecendo trincheiras cavadas por um gigante de gelo em guerra com o clima.

Segundo os cientistas, não há dúvida de que o aquecimento da atmosfera está influenciando esse degelo. Por outro lado, é preciso levar em conta que essas geleiras estão derretendo naturalmente há mais de 150 anos, desde o fim da chamada Pequena Era do Gelo, um longo período de temperaturas baixas que manteve a Terra resfriada – e as geleiras saudáveis – até 1850. Em seu trabalho, Cogley diz que as geleiras são “grandes demais para o clima atual”, e provavelmente continuariam a encolher por mais algumas décadas independentemente da influência humana sobre o clima.

“O fato de que a maioria das geleiras está em retração é um sinal claro de resposta a algum tipo de mudança climática. Se essa mudança está relacionada ao aquecimento global causado pelo homem ou a processos naturais é uma discussão em aberto”, diz o pesquisador Dirk Scherler, da Universidade de Potsdam, na Alemanha. Uma opinião compartilhada por vários cientistas ouvidos pelo Estado.

As geleiras, assim como o oceano, respondem de maneira “atrasada” às variações climáticas. Seu comportamento atual pode ser uma reação a condições climáticas de décadas atrás, assim como sua resposta às condições atuais poderá ser sentida só décadas a frente.

Outra mensagem enfatizada pelos pesquisadores é que é difícil (e frequentemente incorreto) fazer previsões generalizadas para o Himalaia. As condições geográficas e climáticas variam bastante ao longo da cordilheira, tanto no eixo vertical quanto horizontal. E as respostas dessas diferentes composições às mudanças climáticas variam igualmente ao longo do tempo e do espaço. Nas montanhas mais a oeste, por exemplo, que ficam em latitudes mais elevadas, muitas geleiras estão aumentando em vez de encolhendo.

Só a cordilheira central do Himalaia se estende por 2.400 quilômetros, do Rio Indus, no oeste, ao Brahmaputra, no leste. Mas a influência das montanhas sobre o clima, a cultura e a economia da região se estende por uma área muito maior, englobando várias outras cordilheiras e bacias hidrográficas associadas, das montanhas nevadas do Afeganistão até os desertos do Planalto Tibetano e as florestas de Mianmar.

RECURSOS HÍDRICOS

Um dos pontos mais sensíveis às mudanças climáticas na região é a conexão entre as geleiras no topo das cordilheiras e os rios que fluem pelos vales e planícies montanha abaixo. As geleiras funcionam como represas naturais, acumulando água congelada no inverno e liberando água líquida durante o verão.

A importância disso para o abastecimento humano varia de acordo com as condições climáticas, geográficas e os padrões de ocupação humana. As regiões mais vulneráveis, segundo os cientistas, estão na parte oeste do Himalaia, onde a influência das monções é menor e a dependência na água das geleiras, maior – principalmente nos meses de seca.

“O impacto (do derretimento sobre os recursos hídricos) nas regiões mais áridas poderá ser significativo”, avisa o cauteloso Fujita. Nas regiões naturalmente mais úmidas, irrigadas pelas monções, diz ele, nem tanto.

Tudo muito variável. Não é à toa que quando perguntei a Cogley o que eu veria ao caminhar pelas montanhas e observar as geleiras da região ele respondeu: “Uma grande bagunça”.

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SINAIS ILUMINADOS DE MUDANÇA CLIMÁTICA

“Isso não era para estar assim”, comenta o guia nepalês Nara Bhujel, olhando incomodado para a névoa que encobre nossa trilha a caminho do Monte Everest, no Parque Nacional do Sagarmatha, no Nepal. “Nessa época já era para o céu estar limpo.”

É 12 de novembro e estamos passando por uma floresta de cascatas semicongeladas entre as vilas de Khunde e Dhole, a quase 4 mil metros de altitude. Felizmente, foi um dos poucos dias de tempo fechado que tivemos nas duas semanas de caminhada até o Acampamento Base do Everest. Nos outros dias, céu azul e sol forte o tempo todo, com quase nenhuma nuvem no céu e paisagens incríveis despontando a cada curva nas montanhas. O que também não deixa de ser estranho. Tantos dias seguidos de tempo bom não costuma ser a regra nessa região.

Pode ter sido sorte. Pode ter sido o aquecimento global.

Na paisagem iluminada pelo sol, os sinais de mudança climática se tornam evidentes. “As montanhas costumavam ter muito mais neve. Não tinha tanta rocha exposta, assim”, diz a guia da expedição, Andrea Cardona, que já fez a trilha até o Everest 14 vezes nos últimos anos. Um comentário que eu ouvi de vários moradores locais, ao longo de um mês caminhando pelas trilhas montanhosas do Nepal.

A impressão geral entre os povos tradicionais das montanhas é de que o clima “enlouqueceu” de uns dez anos para cá. Os invernos não são mais tão frios como costumavam ser. A quantidade de neve diminuiu. A chuva não cai mais quando costumava cair. As plantas estão florescendo fora de época. E várias nascentes estão secando.

“Antes, na minha vila, a neve vinha até aqui. Agora, só vem até aqui”, afirma Bhujel, apontando primeiro para o seu joelho e depois, para o seu tornozelo. “Está tudo errado”,  resume o colega Dorji Tamang, que trabalha com expedições na região há mais de dez anos. “Não dá para prever mais nada.”

No Parque Nacional de Langtang, ao norte de Katmandu, a história é bem semelhante. Tão semelhante que os moradores parecem ter combinado suas falas. “Quando a gente planta, não chove nada. E depois que a gente colhe, chove um montão”, relata Tensing Lama, da vila de Langtang, um enclave de agricultores e mochileiros espremido entre duas fileiras de picos nevados no centro do parque, a 3.500 metros de altitude.

O resultado prático é que as plantações de batata – item básico de sobrevivência na dieta das montanhas – não se desenvolvem. E os agricultores sofrem. “Está tudo ao contrário”, afirma Lama, confuso.

“Eles não sabem necessariamente associar o que está acontecendo ao aquecimento global. Mas basta você explicar que tudo se encaixa”, diz Roshan Sherchan, da organização WWF Nepal, que desenvolve projetos sociais de adaptação às mudanças climáticas na região.

A imprevisibilidade das chuvas se encaixa com perfeição nos modelos de mudança climática, que prevêem distorções temporais nos padrões de precipitação em todo o planeta. A quantidade de água que cai do céu pode continuar a mesma, mas a periodicidade com que ela cai deverá ficar mais concentrada e esporádica, produzindo mais tempestades e menos chuvas periódicas – do tipo que os plantadores de batata precisam.

Os ventos também têm dado sinais de “loucura” em Lantang. No último inverno, moradores relatam que um vento “forte e rodopiante”, parecido com um tornado, baixou sobre a vila, arrancando os telhados de várias casas. Piemba Cho Tine, de 35 anos, conta que foi sugada de dentro de sua residência e jogada a uns 20 metros de distância. Ela, felizmente, não se machucou, mas seu marido e seu filho mais novo, de 1 ano, não tiveram a mesma sorte. Ambos morreram esmagados, debaixo de uma cama, quando o vento derrubou uma parede de pedras sobre eles.

“Tinha muita neve descendo da montanha, com pedras e pedaços de coisas rodopiando pelo ar”, conta Piemba, que agora sobrevive das doações de turistas e da pequena plantação de batatas que cultiva com a ajuda de seus três filhos sobreviventes, de sete, oito e nove anos (foto acima). “Nunca vi uma coisa dessas.” Assim como muitos moradores mais simples das montanhas, sem acesso a televisão, rádio ou internet, Piemba nunca ouviu falar de aquecimento global. Mas acha muito estranho o que anda acontecendo com o clima ultimamente.

MENOS NEVE, MENOS GELO

A algumas horas de caminhada dali, na vila de Kianjin Gumba, as bordas das geleiras que descem do Langtang Lirung, o pico mais alto do parque (7.227 metros), recuam visivelmente montanha acima. Ao olhar para elas, pensei: “Quando voltar para Katmandu vou procurar um pesquisador que possa me explicar o que está acontecendo aqui”. Mas não foi preciso.

Tshering Lama, proprietária de uma das pousadas mais antigas da vila, me deu uma explicação tão boa e convincente quanto a de qualquer cientista. “Antes, nevava no inverno, quando a terra e o ar estão mais frios, então a neve acumulava e virava gelo. Agora, neva mais tarde, quando a terra e o ar já não estão tão frios, então a neve derrete mais rápido e não vira gelo. Por isso as geleiras estão encolhendo.”

O “normal”, segundo Tshering, era nevar em dezembro e janeiro. Agora, só neva em fevereiro e março. Diferenças pequenas no calendário, mas que podem ser desastrosas para as geleiras e para a agricultura tradicional das montanhas. “A capacidade de adaptação dessas comunidades é muito limitada”, diz o pesquisador Arun Shrestha, do Icimod. “Pequenas alterações podem trazer grandes impactos.”

Enquanto prepara uma sopa de macarrão e batatas para o almoço, Tshering (foto abaixo) aponta para a face rochosa do Lantang Lirung, preenchendo quase toda a vista da janela da cozinha, e comenta, sem ser perguntada: “Quando eu era menina, ela era toda branca, sempre. Não dava para ver nada dessas rochas pretas embaixo.” É como se ela e Andrea tivessem combinado suas falas.

Pode ser coincidência. Pode ser o aquecimento global.