Répteis pré-históricos de roupa preta: pesquisa revela coloração de animais marinhos fossilizados

Répteis pré-históricos de roupa preta: pesquisa revela coloração de animais marinhos fossilizados

Herton Escobar

08 Janeiro 2014 | 19h30

IMAGEM: Ilustração mostra como seria a coloração dos três animais (mosassauro, ictiossauro e tartaruga-de-couro; de baixo para cima), segundo os resultados do estudo. CRÉDITO: Stefan Sølberg

Herton Escobar / O Estado de S. Paulo

Quatro anos após a publicação de trabalhos pioneiros que desvendaram a coloração das penas de dinossauros fossilizados, um grupo de pesquisadores dos EUA e da Europa acaba de fazer o mesmo com a pele de répteis pré-históricos — mais especificamente, um ictiossauro de 190 milhões de anos, um mosassauro de 86 milhões de anos, e uma tartaruga-de-couro de 55 milhões de anos (de uma linhagem irmã, porém extinta, das tartarugas-de-couro atuais).

Eles usaram uma combinação de técnicas de microscopia eletrônica e espectrometria de massa para analisar a composição química de moléculas de melanina preservadas em fósseis dessas três espécies, e concluíram que eles eram majoritariamente pretos. Uma conclusão que abre portas para uma série de análises sobre a ecologia (comportamento) desses animais e sobre o papel da melanina na história evolutiva dos animais da Terra como um todo.

O caso da tartaruga-de-couro extinta (gênero Eosphargis) é o mais fácil de ser analisado, já que ela possui o parente mais próximo em vida para comparação. A tartaruga-de-couro moderna (gênero Dermochelys) também possui uma coloração escura, e os biólogos acreditam que isso seja uma característica evolutiva que permite à espécie explorar águas mais frias, já que as cores escuras absorvem calor com mais eficiência do que as cores claras (basta sair com uma camiseta preta no sol para entender isso). Ela é a única entre as tartarugas-marinhas que possui essa capacidade, podendo ser encontrada até mesmo em águas supergeladas do Círculo Polar Ártico, segundo os pesquisadores.

Como os répteis são animais de sangue frio, a melanina, nesse caso, serviria como uma ferramenta pigmentosa de termorregulação. Muitos répteis terrestres atuais usam sua coloração escura dessa forma, potencializando a quantidade de calor que conseguem acumular quando estão expostos ao sol.

No caso do ictiossauro e do mosassauro, a coloração preta poderia servir também como uma camuflagem nas zonas escuras de regiões profundas, que os cientistas acreditam que eram frequentadas por esses animais. Imagine só!

O estudo foi publicado na revista Nature:  http://www.nature.com/nature/journal/vaop/ncurrent/full/nature12899.html

FOTO: Fósseis que foram usados na pesquisa, com a pigmentação preservada em ‘películas’ de pele fossilizada. Da esquerda para direita: pele de uma tartaruga-de-couro, escamas de um mosassauro e nadadeira caudal de um ictiossauro. CRÉDITO: Bo Pagh Schultz, Johan Lindgren e Johan A. Gren, respectivamente.

OBS: Apesar da terminação “ssauro” nos nomes, o mosassauro e o ictiossauro NÃO eram dinossauros.