Satélite CBERS-3 pronto para ser lançado da China

Satélite CBERS-3 pronto para ser lançado da China

Herton Escobar

08 Dezembro 2013 | 08h00

FOTO: O foguete Longa Marcha 4B na torre de lançamento do centro de Taiyuan, na China, já com o CBERS-3 integrado (dentro da ‘cúpula’ no topo do foguete, ou terceiro estágio). Crédito: Inpe/Divulgação

Herton Escobar / O Estado de S. Paulo

Deve ser lançado na madrugada de hoje para amanhã (1h26 de segunda-feira, dia 9) o quarto satélite da série CBERS, fruto de uma parceria tecnológica entre Brasil e China. Será um momento crucial para o futuro do programa espacial brasileiro, que está há quase quatro anos sem um aparelho em órbita e que tem o CBERS como um de seus poucos – ou quase único – casos de sucesso. Sem falar no investimento que foi feito no projeto, de R$ 270 milhões.

O lançamento será feito do Centro de Lançamento de Satélites de Taiyuan, na China, utilizando um foguete Longa Marcha 4B (ou Chang Zheng, na denominação chinesa). Uma comitiva de técnicos e autoridades brasileiras está no local para acompanhar o evento ao vivo, incluindo o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Marco Antonio Raupp; o presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), José Raimundo Coelho; e o diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Leonel Perondi. Uma vez acionado o foguete, levará 12 minutos para o satélite entrar em órbita. Depois disso, passará por um período de três meses de comissionamento (testes e ajustes de equipamentos).

O satélite, apesar de ser o quarto da série, chama-se CBERS-3. Os três anteriores (CBERS-1, 2 e 2B) foram construídos 70% pela China e 30% pelo Brasil, mas este e o próximo (CBERS-4, com lançamento previsto para 2015) fazem parte de um novo acordo, pelo qual cada país é responsável por 50% do projeto. O programa é executado pelo Inpe, no Brasil, e pela Academia Chinesa de Tecnologia Espacial (Cast), na China.

O CBERS é um satélite de observação da superfície da Terra, equipado com quatro câmeras que “enxergam” diferentes larguras de faixa, com diferentes resoluções e características espectrais, que podem ser empregadas em uma grande variedade de aplicações – como o monitoramento de florestas, atividades agrícolas e ocupações urbanas.

O último satélite da série, o CBERS-2B, parou de funcionar, prematuramente, em maio de 2010. Desde então, o Brasil vem dependendo exclusivamente de imagens de satélites estrangeiros (como o Landsat, da Nasa, e o Resourcesat, da Índia) para observar seu próprio território. Pela programação original, o CBERS-3 deveria ter sido lançado até 2010, mas uma série de complicações do lado brasileiro acabaram por adiar sucessivamente esse itinerário.

Para informações mais detalhadas sobre o programa, veja a reportagem especial publicada pelo Estado na semana passada: http://blogs.estadao.com.br/herton-escobar/cbers3-lancamento/