Shutdown: governo americano entra em estado vegetativo

Shutdown: governo americano entra em estado vegetativo

Herton Escobar

02 Outubro 2013 | 21h23

Voltando das férias hoje e chocado, ainda, com a história do “shutdown” do governo federal norte-americano. O impacto desse shutdown na ciência do EUA é potencialmente gigantesco, por isso meu interesse no assunto … que me parece totalmente surreal.

É como se todo o organismo do governo norte-americano (a maior potência mundial) estivesse agora numa cama de UTI em estado vegetativo, apenas com as funções vitais funcionando. E o mais incrível é que ele não foi colocado lá por conta de algum acidente trágico inesperado. Pelo contrário: trata-se de uma internação forçada, prevista em lei e com regras específicas de funcionamento, colocada em prática desde ontem por conta de um impasse político no Congresso norte-americano, que impediu a aprovação do orçamento federal a tempo para o início do ano fiscal de 2014 (que começou em 1º de outubro).

Sem um orçamento aprovado, não há dinheiro oficialmente disponível em caixa para as instituições federais operarem, e por isso elas são obrigadas a suspender temporariamente suas operações. A paralisação não é total (ou o país ficaria totalmente desgovernado), mas é significativa. Como explica esse texto do Washington Post, as instituições federais são instruídas a fazer uma lista de funcionários “essenciais” e “não essenciais”. Os não essenciais são temporariamente dispensados do trabalho, até que um novo orçamento seja aprovado. Com isso, várias atividades ficam paralisadas. Só para se ter uma ideia, 68% dos funcionários do Centro para Controle de Doenças (CDC), um dos mais importantes institutos de monitoramento e pesquisa sobre doenças contagiosas (por exemplo, gripe) do mundo, foram dispensados de trabalhar nesta semana, segundo informações deste blog na revista Wired. Na EPA, o índice chegou a 94%.

A Fundação Nacional de Ciências (NSF), os Institutos Nacionais de Saúde (NIH), a agência espacial (Nasa), a agência de pesquisas atmosféricas e oceânicas (NOAA), a agência de proteção ambiental (EPA) o serviço geológico (USGS), o serviço de parques nacionais (NPS) e várias outras instituições importantes do governo americano também fecharam as portas para o público e estão operando de forma minimalista no momento, como mostram mensagens postadas em seus sites. Imagine só!

O último shutdown foi em 1995 e durou 21 dias. Vamos ver quanto tempo esse vair durar … Será que a ideia cola no Brasil?

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