SÓ OS RÁPIDOS ESCAPAM

SÓ OS RÁPIDOS ESCAPAM

Herton Escobar

12 Fevereiro 2010 | 20h25

Respondendo ao comentário do José Prado de Melo, feito no post anterior…. Nem todos nós estamos presos aqui na Terra! Alguns sortudos astronautas conseguem vencer a “cola” gravitacional que prende nossos corpos à superfície do planeta e se aventurar na microgravidade do espaço – com a ajuda, é claro, de alguns foguetes gigantescos e alguns milhares de litros de nitrogênio líquido.

De fato, a exploração espacial nos proporcionou algumas imagens fantásticas nos últimos dias, com o lançamento do ônibus espacial Endeavour, rumo à Estação Espacial Internacional (ISS). Selecionei algumas das minhas prediletas e coloquei acima e abaixo deste texto … Acho que elas também não precisam de muita explicação, mas como eu sou um deslumbrado incorrigível, aqui vão alguns fatos curiosos sobre o tema.

Sabem por que é preciso fazer essa fumaceira toda para chegar ao espaço? É uma questão de pura física. A Terra tem uma massa arredondada de 6 mil bilhões de bilhões de bilhões de toneladas (6 seguido de 21 zeros). Essa massa distorce o espaço-tempo e produz uma força gravitacional que “atrai” tudo que está ao redor em direção ao seu centro – nós, as moscas, as folhas, os aviões, a Lua, os astronautas, a ISS, até os outros planetas e o Sol … Na verdade, todos os objetos no Universo estão influenciando gravitacionalmente uns aos outros a todo momento, desde um simples grão de poeira até uma galáxia inteira… mas isso é uma história mais comprida e mais complexa que fica para um outro post.

Voltando ao ônibus espacial…..

Para vencer a atração gravitacional do planeta é preciso atingir “velocidade de escape”. Quanto maior a massa do planeta, maior a atração gravitacional que ele exerce e maior a velocidade de escape necessária para superá-la. Na Terra, essa velocidade é de 12 quilômetros por segundo, ou 720 km/minuto, ou cerca de 43.000 km/hora.

O ônibus espacial não precisa ir tão rápido porque ele não quer se libertar totalmente da gravidade da Terra. Quer apenas entrar em órbita dela, o que significa que ele está no espaço mais continua sendo puxado para “baixo”. Por isso a velocidade pode ser um pouco mais baixa: bastam 28 mil km/h. Só isso! Não é à toa que ele precisa decolar grudado àqueles gigantescos tanques de combustível sólido (perclorato de amônia e alumínio) e líquido (nitrogênio líquido). Haja propulsão!

Aquela “fumaça” toda que se levanta durante o lançamento é, na verdade, vapor d’água. Logo abaixo dos foguetes, na plataforma de lançamento, há um grande tanque de água corrente que é evaporada imediatamente pelo calor da ignição. Funciona como um sistema de isolamento térmico e principalmente acústico. Caso contrário, a reverberação do som dos foguetes seria tão forte que faria tremer o centro de lançamento inteiro, colocando em risco o próprio lançamento. Imagine só!

Abraços a todos. E bom carnaval.