Clima Fechado

Herton Escobar

15 Agosto 2009 | 14h54

Saio hoje de Bonn confiante de que meu pessimismo sobre o futuro da política climática internacional é mais do que justificado. Ao fim de cinco 5 dias de negociações “informais” na ex-capital alemã (em que a “informalidade”, supostamente, deveria dar mais flexibilidade aos negociadores para avançar nas negociações), o resultados são tão pequenos e burocráticos que mal dá para quantificar alguma coisa.

Todos os top diplomatas das grande nações e o secretário geral da Convenção do Clima, Yvo de Boer reconheceram ontem que “as negociações estão muito lentas”, que “é preciso colocar as diferenças de lado e avançar com urgência”, que a situação é “frustrante”, que “tá tudo travado”, que os países precisam mostrar liderança e outras coisas desse tipo que deixam a gente super animado no fim do dia. Engraçado é que são eles mesmos que estão nas salas de negociação atrasando e travando tudo …. então, no fundo no fundo, estão reclamando deles mesmos.

Fico me perguntando quantos desses negociadores se importam genuinamente com o clima. Fica todo mundo lá, fechado dentro de um centro de conferência, discursando que não podemos “comprometer a integridade ambiental do clima”, e que por isso meu país é contra isso ou contra aquilo … mas, no fundo no fundo, acho que o que não pode ser comprometido é o interesse de cada país. Se o clima for salvo também no processo, beleza.

Falo isso com todo respeito aos nossos diplomatas e outros representantes brasileiros que participam desse debate. Um deles me disse que “toda negociação tem seu tempo”, e que “só acaba quando for para acabar”. Ou seja: no último minuto da última reunião da última noite….. Espero que ele esteja certo e que o tempo dessas negociações acabe em Copenhague em dezembro, para o bem da humanidade. Se os interesses dos países forem salvos também no processo, beleza.