FAMÍLIA (EXTRA)TERRESTRE

FAMÍLIA (EXTRA)TERRESTRE

Herton Escobar

17 Setembro 2009 | 15h10

Imagine Só: Cientistas confirmaram ontem a existência de um planeta semelhante ao nosso (pequeno e rochoso) na órbita de uma outra estrela, semelhante ao nosso Sol, localizada a 500 anos-luz daqui. Batizado de CoRoT-7b, ele é quase duas vezes maior em diâmetro e cerca de cinco vezes mais “pesado” do que a Terra. Ou seja, não é exatamente igual …. mas é da família. (A imagem acima é uma ilustração da estrela vista da superfície do planeta, em primeiro plano.)

Já faz tempo que os cientistas “sabem” que há muitos – mas muitos mesmo!, na casa dos bilhões de bilhões de bilhões – planetas do tipo da Terra (pequenos e rochosos) circulando no espaço por aí em volta de outras estrelas. Só faltava mesmo achar um para ter certeza. Pois então…. achamos! E ainda por cima, com uma mãozinha tecnológica brasileira, pois quem detectou o planetinha foi o satélite espacial CoRoT, construído e operado em parceria pela França e pelo Brasil. Palmas para o prof. Eduardo Janot, do Instituto de Astronomia da USP, que é quem toca o projeto por aqui – e sempre disse que esses planetinhas iam aparecer mais cedo ou mais tarde.

As implicações teóricas dessa descoberta são imensas. Afinal, imagine só: Se há bilhões e bilhões de outros planetas como a Terra por aí, então é perfeitamente possível que alguns deles (ou muitos) também tenham desenvolvido vida. Por enquanto, é só uma especulação, que talvez nunca possa ser provada, pois as distâncias que nos separam dessas outras estrelas e planetas no espaço são absolutamente gigantescas. Ou seja: mesmo que o universo esteja repleto de vida, não há nenhuma garantia de que um dia encontraremos um extraterrestre. Mas é uma especulação coerente do ponto de vista científico.

As condições necessárias para o surgimento da vida em outros planetas certamente existem. Todos os elementos essenciais (carbono, hidrogênio, oxigênio, enxofre e até água) são extremamente abundantes no universo. Isso é fato. Agora estamos descobrindo que também não faltam planetas sólidos, onde esses elementos podem se misturar e dar origem a moléculas orgânicas mais complexas. Se aconteceu na Terra, por menores que sejam as possibilidades, pode acontecer em outros planetas também. (OBS: Não é o caso do CoRoT-7b, que fica muito próximo de sua estrela – 23 vezes mais próximo do que Mercúrio está do Sol – e portanto é muito quente para abrigar vida como a conhecemos.)

Mas atenção, quando pensar sobre isso, mantenha sua mente aberta. Use a imaginação! Todas essas especulações sobre vida extraterrestre são baseadas na vida como a conhecemos na Terra – a única que conhecemos! –, baseada em carbono, água, DNA, RNA, braços, pernas, orelhas e coisas do tipo. Mas quem garante que essa é a única receita para se construir um ser vivo??? Quem garante que não há formas de vida completamente diferentes da nossa no universo…. tão diferentes que, se estivessem bem na nossa frente, não a reconheceríamos como vida. Vai saber.

Vou concluir esse texto remetendo a uma das imagens do Hubble que mostrei no meu post anterior: a do aglomerado estelar Omega Centauri. Olhe para essa foto (copiada abaixo, em maior detalhe) e imagine: Cada uma dessas 100 mil estrelas pode – e deve – ter planetas girando em torno delas. Planetas gigantes e gasosos, como Júpiter e Saturno, e planetas pequenos e rochosos, como Terra e Marte.

E isso é só um pedacinho minúsculo da nossa galáxia, a Via Láctea, que é apenas uma de bilhões e bilhões de galáxias no universo, cada uma delas recheada de bilhões e bilhões de estrelas e planetas….. Imagine só.