O DILEMA DA GARAPA

O DILEMA DA GARAPA

Herton Escobar

29 Setembro 2009 | 15h29


(FOTO: Patricia Santos/AE)

As notícias recentes de que o etanol pode (e eu enfatizo o “pode”), em algumas circunstâncias, emitir mais poluentes do que a gasolina me deixaram num impasse …

Eu sou fã assumido do etanol de cana-de-açúcar. Acho simplesmente fantástica a ideia de que garapa fermentada possa fazer um carro funcionar.

(Já escrevi artigos sobre isso antes, mas para quem não leu, aqui vai um resumo: Sabe aquele álcool combustível que você coloca no seu carro para dirigir? Então, aquilo nada mais é do que caldo de cana fermentado. A matéria prima é a mesma que você compra na barraquinha de pastel no fim da feira: garapa! A única diferença da feira para a indústria é o processo de fermentação. A garapa é dada de alimento a fungos (leveduras), que consomem o açúcar no caldo e secretam o álcool, que depois é separado, processado e enviado para os postos de combustível. Imagine só!!!)

Mas voltando ao impasse….

O etanol é ótimo do ponto de vista climático porque não contribui para o aquecimento global. Todo o CO2 que sai do escapamento dos carros é reabsorvido via fotossíntese pelas plantações de cana. Ou seja: tudo que sobe, desce. A gasolina, por outro lado, só adiciona CO2 à atmosfera. Tudo que sobe, fica.

Entre gasolina e etanol, portanto, a escolha para mim sempre foi muito óbvia: etanol na cabeça! Mas agora aparecem dados do Ministério do Meio Ambiente dizendo que, dependendo do tipo de veículo, o etanol pode emitir mais poluição do que a gasolina (coisas como monóxido de carbono e aldeídos, que a gente respira diretamente no ar poluído das cidades).
Nesse caso, o etanol ganha da gasolina de lavada no combate ao aquecimento global, mas perde (não de muito, mas perde) no combate à poluição do ar urbano.

E agora, qual a melhor escolha na bomba de combustível? A que beneficia o planeta, ou a que beneficia os seus pulmões?

Esses números do MMA ainda estão sendo muito debatidos. Certamente há questões técnicas que precisam ser melhor resolvidas e é possível que, no fim das contas, o etanol não seja pior do que a gasolina. Ou então, bastará um “fine tunning” tecnológico dos motores flex para resolver o problema.

De qualquer maneira, o debate filosófico é interessante: Pensar globalmente, ou agir localmente??