TRIBUTO A FERRAZ

Herton Escobar

05 Março 2012 | 12h02

Em 2009 tive uma oportunidade de viajar como jornalista para a Estação Antártica Comandante Ferraz. Meu nome já estava na lista, aprovado pela Marinha, mas tive de desistir da viagem na última hora, por motivos pessoais. Fiz isso com a confiança de que uma nova oportunidade surgiria nos próximos anos … Afinal, a Estação não iria desaparecer da noite para o dia, certo? Pois é … desapareceu. Queimou. Acabou. E agora vou para sempre lamentar não ter conhecido essa joia preciosa da ciência brasileira, que infelizmente nunca foi tão valorizada como deveria — a não ser por aqueles que viviam e trabalhavam nela, como mostra esse belíssimo vídeo produzido por um aluno da USP. Apesar de nunca ter conhecido a base, dá para sentir nas imagens a camaradagem entre os habitantes da Estação. Uma camaradagem familiar para aqueles que se aventuram por lugares inóspitos, onde diferenças de raça, cor ou classe social desaparecem quase que instantaneamente, ao primeiro sopro de vento gelado ou o primeiro escorregão à beira de um precipício; onde todo mundo se ajuda, todo mundo trabalha, todo mundo se protege.

A maioria dos brasileiros certamente nem sabia que essa base existia. Agora, a maioria sabe que ela não existe mais. Infelizmente, é muitas vezes na desgraça que as boas notícias se propagam. Que isso sirva de lição, para que a nova Ferraz seja reconstruída e renasça das cinzas mais forte, mas bonita, mais segura e ainda mais produtiva. Essa, eu faço questão de conhecer.

Abraços a todos. Meus pêsames e meus parabéns a todos os cientistas e militares de Ferraz.