UM POR TODOS, E TODOS POR UM

UM POR TODOS, E TODOS POR UM

Herton Escobar

04 Outubro 2010 | 12h13

Lembra daquele time superestrelado do Real Madrid de alguns anos atrás, com Ronaldo, Zidane, Figo, Beckham e outros … que ficou conhecido como “os galácticos”, custou milhões e milhões de euros para montar, e não ganhou porcaria nenhuma?

Pois então, um estudo publicado na última edição da revista Science nos ajuda a entender porque esse tipo de coisa acontece. Times cheios de estrelas que não conseguem ganhar. Equipes empresariais cheias de grandes currículos, mas que não conseguem produzir resultados de qualidade à altura. Etc.

Segundo o estudo, o fator mais importante para determinar o sucesso de um grupo não é a inteligência individual de cada um de seus membros, mas a “inteligência coletiva” derivada da interação de suas inteligências. Ou seja: Você pode ter um grupo cheio de pessoas individualmente muito inteligentes, mas que não conseguem juntar suas inteligências de uma forma eficiente para resolver um problema ou atingir um determinado objetivo comum. Por exemplo: marcar gols, produzir uma campanha publicitária, governar um país, produzir um jornal diário ou seja lá o que for. Assim como você pode ter um grupo com pessoas não tão inteligentes, mas que sabem trabalhar muito bem em equipe, produzindo uma “inteligência coletiva” que é mais eficiente do que indicaria a simples soma das inteligências individuais de cada um de seus membros.

Tudo isso, explicado pelos cientistas matematicamente, por meio de experimentos controlados. Eles pegaram 699 voluntários e os agruparam aleatoriamente (“randomicamente”, na linguagem científica adaptada do inglês) em grupos de dois a cinco indivíduos, aos quais foram atribuídos problemas específicos para serem solucionados. Tipo montar um quebra-cabeça, definir prioridades orçamentárias ou simplesmente discutir uma solução para algum dilema ético ou moral. Os cientistas, então, analisaram os resultados e, com base em avaliações das capacidades individuais e coletivas de cada equipe, chegaram a uma fórmula capaz de prever a eficiência de um grupo na solução de problemas que exigem trabalho em equipe.

E o que mais influencia o resultado dessa fórmula, segundo eles, não é a inteligência individual de seus componentes, mas a capacidade dessas inteligências de trabalhar em conjunto de forma harmônica e eficiente, criando uma inteligência coletiva que supera as limitações individuais de seus componentes. Por exemplo: pessoas que deixam as outras falarem e que levam em conta as opiniões dos outros, mesmo que isso contrarie alguma de suas posições individuais.

Resumindo: Um time de jogadores regulares, porém bem entrosados, vale (e custa muito menos) do que um time cheio de galácticos que são fantásticos individualmente, mas não conseguem trocar meia dúzia de passes em equipe. Imagine só!

Abraços a todos.