Uma nova visão de Mercúrio

Uma nova visão de Mercúrio

Herton Escobar

05 Março 2013 | 11h36

FOTO: NASA/Johns Hopkins University Applied Physics Laboratory/Carnegie Institution of Washington

Reconhece este objeto na foto acima?

Parece uma das luas Júpiter. Talvez Io ou Ganimede?  Mas não … é o nosso irmão caçula Mercúrio, o planeta mais próximo do Sol, que normalmente só vemos como uma bola cinza monocromática, sem graça e cheia de crateras.

As cores nesta foto, divulgada recentemente pela missão Messenger, da Nasa, não são visíveis ao olho humano, mas também não são totalmente “artificiais”. Elas representam diferenças físicas, químicas e mineralógicas entre as rochas que compõem a superfície do planeta, obtidas por meio da observação da luz refletida por esta superfície através de diferentes filtros espectrais. As áreas mais claras representam material “fresco” ejetado de crateras formadas pelo impacto de meteoros. As áreas mais azuladas são cobertas por um mineral opaco, que reflete pouca luz (chamado pelos pesquisadores de “low-reflectance material”, em inglês). Enquanto que as áreas mais amareladas são planícies cobertas pela lava de erupções passadas, quando Mercúrio era geologicamente mais ativo. Aquela grande “mancha” alaranjada entre as 12h e as 2h (se você pensar na face do planeta como um relógio), é uma marca registrada de Mercúrio, chamada Bacia Caloris, com 1.550 km de diâmetro.

Abaixo, um vídeo do planeta inteiro girando 360 graus. clique aqui.

Apenas mais uma amostra de como temos muito para descobrir ainda dentro do nosso próprio sistema solar. Basta um olhar diferenciado para fazer novas descobertas, mesmo em um lugar aparentemente “sem graça” como Mercúrio (que não tem os maravilhosos anéis de Saturno ou as gigantescas tempestades de Júpiter para cativar a imaginação popular).

Se aparece um Mercúrio fora do sistema solar, porém, o interesse é grande. Cientistas já descobriram mais de 800 planetas extrassolares até agora. A grande maioria deles é composta de planetas gigantes gasosos, como Júpiter e Saturno (e até muito maiores do que eles), mas o número de planetas pequenos na lista vem aumentando gradativamente em ritmo animador (veja post anterior sobre isso). A descoberta mais recente, publicada na revista Nature, é de um planeta menor ainda do que Mercúrio e pouco maior do que a nossa Lua, chamado Kepler 37b, orbitando uma estrela um pouco menor do que o Sol, a 200 anos-luz daqui. Imagine só!

Abraços a todos.