Universidades brasileiras, em busca da excelência (Parte 4)

Universidades brasileiras, em busca da excelência (Parte 4)

Herton Escobar

14 Outubro 2013 | 14h58

ENTREVISTA: Phil Baty, editor do Times Higher Education

por Herton Escobar / O Estado de S. Paulo

1) Vários acadêmicos com quem conversei no Brasil disseram que não há “explicação plausível” para o fato de a USP ter caído mais de 60 posições no último ranking de universidades do THE (porque, essencialmente, nada mudou de forma tão significativa na universidade de um ano para o outro), e que isso representa uma deficiência ou “bias” na metodologia do ranking. O que o senhor pensa disso? O que mudou na USP de 2012 para 2013 para fazê-la despencar no ranking dessa forma, numa janela de tempo tão curta?

A metodologia das tabelas que usamos para produzir o ranking não mudou nos últimos três anos e ela é muito sólida; o grau de estabilidade dos resultados é muito alto. A USP sofreu uma leve queda em vários dos 13 indicadores que utilizamos: sua nota de reputação caiu tanto para a parte de ensino quanto de pesquisa, e também sua nota para o maior de todos os indicadores, que é impacto da produção científica (medido pelo número de citações dos trabalhos publicados). Nessa área extremamente ‘congestionada’ da tabela na qual a USP se encontra, pequenas quedas nas notas podem ter um efeito bastante significativo, especialmente se elas ocorrem numa variedade de indicadores. Nessa corrida global e extremamente competitiva para o topo da lista, mesmo ficar parado não é suficiente, pois outros países continuam a crescer rapidamente.

2) Em termos mais genéricos, o que as universidades brasileiras precisam fazer para melhorar no ranking? O que a Caltech, Harvard, MIT e outras universidades no topo da lista estão fazendo que nós não estamos? Qual é o segredo do sucesso delas, por assim dizer?

Um desafio chave para o Brasil é aumentar o impacto da sua produção científica. O país tem núcleos de excelência em algumas áreas de pesquisa, mas não o suficiente. A ciência brasileira está aparecendo mais nas melhores revistas internacionais, mas pouco dessa ciência está sendo compartilhada ou citada globalmente para realmente avançar as fronteiras do conhecimento. Além disso, as instituições brasileiras sofrem mais com ‘red tape’ (burocracia) e um sistema de controle centralizado, comparado à autonomia total de que desfrutam as melhores universidades dos EUA e da Grã-Bretanha, que as torna mais flexíveis e dinâmicas para avançar.

3) Muitos aqui apontam para a barreira linguística como um dos principais obstáculos para o avanço internacional das universidades brasileiras. O senhor concorda? É obrigatório falar inglês na sala de aula para se ter sucesso globalmente?

A língua é uma questão chave. As universidades asiáticas que estão em ascensão, por exemplo, adotaram o inglês tanto para o ensino quanto para a pesquisa. É a língua universal de comunicação acadêmica, indispensável para universidades com uma visão global que queiram participar desse diálogo.