VISÕES DO ESPAÇO

VISÕES DO ESPAÇO

Herton Escobar

12 Setembro 2009 | 12h50

Esta semana a Nasa revelou as primeiras imagens feitas pelo telescópio espacial Hubble desde que ele foi reformado e modernizado, em maio deste ano. As fotos são tão lindas e tão espetaculares que quase dispensam palavras….. mas só quase!

Realmente, elas são lindas esteticamente, como obras de arte. Mas ficam ainda mais lindas e mais espetaculares quando se entende a ciência que existe por trás delas.

Vejam, por exemplo, esse mosaico de quatro fotos acima (já que não fui capaz de escolher uma única imagem). A primeira delas, que parece uma borboleta espacial, é um negócio chamado “nebulosa planetária”, apesar de não ter nada a ver com planetas (além do fato de que é capaz de destruí-los, caso haja algum por perto). O que vocês estão vendo é o resultado de uma gigantesca explosão estelar! As asas da borboleta são jatos de gás super quente que foram expelidos por uma estrela e que estão viajando a mais de 965 mil quilômetros por hora no espaço. Isso é o que costuma acontecer com estrelas mais ou menos do tamanho do nosso Sol (essa da foto, chamada NGC 6302, tinha cerca de cinco vezes a massa do Sol). Quando começa a acabar o combustível nuclear delas, elas inflam e expelem suas camadas mais externas de gás, como se fossem uma camada de pele morta.


Nosso Sol vai passar por isso daqui uns 5 bilhões de anos, mais ou menos. Se alguém da nossa espécie ainda estiver vivo até lá, pode dizer adeus. Vai morrer todo mundo torrado.

Para se ter uma ideia de tamanho e distância, essa nebulosa está a 3.800 anos-luz da Terra, o que significa que seria preciso viajar 3.800 anos à velocidade da luz (300.000 km por SEGUNDO) para chegar até ela. E de uma ponta da asa a outra, a borboleta tem 2 anos-luz de envergadura. Imagine só o tamanho!!! Dois anos viajando à velocidade da luz para chegar de uma ponta a outra.

A foto ao lado é do Quinteto de Stephan, um aglomerado de galáxias. A do canto direito de baixo é de uma outra nebulosa, chamada Carina, na forma de um pilar de poeira e gás, dentro da qual estão encubadas milhares e milhares de jovens estrelas. E a última, do canto inferior esquerdo, é apenas um pedaço de uma gigantesco aglomerado de estrelas chamado Omega Centauri, a 16 mil anos-luz da Terra. O aglomerado inteiro tem 10 milhões de estrelas, mas na foto aparecem “só” umas 100 mil…. pouca coisa.

Daria para escrever um livro sobre cada uma dessas imagens, mas não dá tempo…..
Mais informações e mais fotos do Hubble podem ser encontradas nesse site: www.hubblesite.org

Ah, esqueci de dizer….. essas nebulosas são chamadas “planetárias” porque, quando vistas por um telescópio pequeno da Terra, parecem ser redondas como um planeta. Não é o caso do Hubble, que tem 13 metros de altura e 4 de diâmetro!.

abraços