Zika e microcefalia: O mistério de Sergipe – resolvido

Zika e microcefalia: O mistério de Sergipe – resolvido

Exames sorológicos realizados no Instituto de Ciências Biomédicas da USP mostram que mães de crianças com microcefalia no Estado foram infectadas pelo vírus da zika. É a primeira vez que a presença do vírus é confirmada por exames laboratoriais em Sergipe.

Herton Escobar

12 Março 2016 | 15h37

Ana Paula da Silva dá banho em Victor Hugo, um dos bebês nascidos com microcefalia em Itabaiana, no interior de Sergipe. Leia o relato dela aqui: http://goo.gl/HHBsqs

Ana Paula da Silva dá banho em Victor Hugo, um dos bebês nascidos com microcefalia em Itabaiana, no interior de Sergipe. Leia o relato dela aqui: http://goo.gl/HHBsqs Foto: Tiago Queiroz/Estadão

Acabou o mistério: Análises realizadas em amostras de sangue de mulheres que deram à luz crianças com microcefalia em Sergipe confirmam que elas foram infectadas pelo vírus da zika. É a primeira vez que a presença do vírus é confirmada no Estado por exames laboratoriais, apesar de a epidemia já estar em curso no Nordeste há pelo menos seis meses.

O anúncio foi feito ontem pela Secretaria de Estado da Saúde, com base em resultados produzidos pelo Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da Universidade de São Paulo. Até então, a ausência de casos confirmados de zika em Sergipe era um mistério para os cientistas, visto que o Estado tem o maior número de casos de microcefalia do País (201), proporcionalmente ao tamanho de sua população.

Essa foi uma das razões que levou uma equipe de pesquisadores paulistas a visitar o Estado no mês passado. Dezenas de amostras de sangue, urina e saliva de pessoas com suspeita de infecção foram colhidas para análise — entre elas, oito mães e oito crianças nascidas com microcefalia no município de Itabaiana, a 55 km da capital Sergipe. (Leia reportagem sobre esses casos aqui: http://goo.gl/HHBsqs)

Os resultados divulgados ontem referem-se a esses 16 casos de Itabaiana: Sete das oito mães e cinco das oito crianças testaram positivo para infecção por zika vírus. As análises realizadas foram do tipo sorológico (método ELISA), capaz de detectar a presença de anticorpos específicos para o vírus da zika na corrente sanguínea. Assim, é possível saber se a pessoa foi infectada pelo vírus em algum momento, mesmo que ele já tenha desaparecido do organismo.

Leia reportagem especial sobre o trabalho dos cientistas paulistas em Sergipe: No front da microcefalia, pesquisadores encontram uma “sopa de vírus”

A imunologista Alessandra Schanoski, do Instituto Butantan, processa amostras de sangue de pessoas com suspeita de zika em Sergipe. As amostras serão analisadas para a presença do vírus. Foto: Herton Escobar/Estadão

Amostras de sangue de pessoas com suspeita de zika em Sergipe. As amostras estão sendo analisadas para a presença do vírus. Foto: Herton Escobar/Estadão

Os exames foram realizados no Laboratório de Evolução Molecular e Bioinformática do Departamento de Microbiologia do ICB-USP, com base em uma metodologia experimental desenvolvida no próprio instituto. O trabalho faz parte da chamada Rede Zika, uma força-tarefa de laboratórios paulistas apoiada pela Fapesp, e está sendo desenvolvido em parceria com o Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen) de Sergipe.

Outras dezenas de casos suspeitos estão sendo avaliados. A confirmação de que essas mães e seus bebês foram infectados pelo zika não prova uma relação causal única entre o vírus e a microcefalia, mas é mais uma forte evidência de que há uma associação entre o patógeno e a ocorrência de malformações congênitas.

Veja vídeo da reportagem aqui: http://goo.gl/8zHP3m

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