Base ignora Dilma e vota código

Estadão

24 Maio 2011 | 20h07

Depois de um mês de idas e vindas, o governo se prepara para votar daqui a pouco o Código Florestal. Os líderes da base aliada não atenderam aos apelos da presidente Dilma Rousseff e mantiveram a emenda apresentada pelo PMDB e apoiada pelos demais partidos e de oposição. A proposta concede anistia aos produtores que desmataram Áreas de Preservação Permanente (APPs) até 22 de julho de 2008.

Esta é a primeira vez em quase cinco meses de governo Dilma que a base aliada se rebela contra o Palácio do Planalto. Segundo maior partido da Câmara e legenda do vice-presidente da República, Michel Temer, o PMDB decidiu ir para o confronto com o  governo. Pelo acordo feito, o texto do código deverá ser aprovado em votação simbólica. A emenda do PMDB será em votação nominal.

Apenas o PT, o PV e o Psol iriam encaminhar contra a proposta peemedebista. Na sessão que está em andamento, o PSol apresentou requerimentos para adiar a votação, mas foi derrotado.

“A Câmara está parada há quase um mês sem votar nada. Existem oito medidas provisórias prestes a perder a validade. É melhor votar e tentar mudar o texto no Senado ou depois a presidente vetar”, disse o deputado Danilo Fortes (PMDB-CE). “O Senado que  mude o texto”, afirmou o ex-ministro Reinhold Stephanes (PMDB-PR).

Apesar dos apelos do Planalto, o líder do PMDB, deputado Henrique Eduardo Alves (RN), manteve-se firme e continuou apoiando a emenda do código que valida as plantações feitas até 22 julho de 2008 em APPs.

Candidato à presidência da Câmara em fevereiro de  2013, Henrique alegou a interlocutores palacianos que não poderia romper com palavra dada à bancada e aos aliados. “Ele (Henrique) terá de optar pelo Planalto ou pela Câmara”, observou o deputado Valdir Colatto (PMDB-SC), um dos líderes da bancada  ruralista.

O dia na Câmara foi de intensas negociações. Por determinação de Dilma, o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), tentou incluir no texto de Aldo Rebelo (PCdoB/SP) proposta para que, nas pequenas propriedades (até quatro módulos fiscais), as APPs às margens dos rios pudessem ocupar até o limite de 20% da área.

“Tarde demais. O governo deveria ter entrado antes na negociação”, argumentou  Stephanes. “Vai ser uma grande desobediência dos deputados da Planície. A posição do plenário está consolidada a favor da emenda do PMDB”, previu Colatto. /Eugênia Lopes

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