Minoria esmagadora

Estadão

04 Fevereiro 2011 | 19h47

Por Gustavo Bonfiglioli

Nesta sexta-feira, o que era para ser uma manifestação contra a aprovação de um empréstimo inicial de R$ 1 bilhão do Banco Nacional de Desesnvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a construção da hidrelétrica de Belo Monte virou uma roda de nove pessoas discutindo os motivos da falta de quórum do protesto em São Paulo. Sem faixas, cartazes, palanques ou megafones, o grupo se reuniu por volta das 12h em frente ao prédio do banco, na Av. Juscelino Kubistchek, zona sul da capital.

Combinado para ocorrer simultaneamente em todas as capitais do País, o ato não ganhou força nem mesmo no Rio, onde fica a sede principal do BNDES: teve em torno de 20 participantes.

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Foto: DANIEL TEIXEIRA/AE

Carol Helena, pesquisadora em gastronomia paraense, era uma das militantes da não-manifestação. Assim como ela, os outros oito ficaram sabendo do ato contra o BNDES através de redes sociais como Twitter e Facebook. “Acho que o protesto não foi muito bem divulgado. Eu acompanho os twitters de muitos ambientalistas contrários à hidrelétrica, e nenhum deles estava falando do ato ontem à noite.”

A jornalista Leda Beck, que também fazia parte do grupo, criticou a falta de representatividade do movimento, que surgiu de forma espontânea na internet. “Não adianta criar a ideia, divulgar o protesto na rede e sair pra tomar uma cerveja”, disse, ao brincar que o protesto era formado por uma “minoria esmagadora”. Não houve envolvimento de nenhuma ONG dedicada à preservação das florestas no Brasil, e nenhum dos manifestantes se identificou como organizador do movimento.

O BNDES, alvo da manifestação, é gestor do Fundo Amazônia. Criado para financiar atividades relacionadas à preservação da maior floresta tropical do mundo, já recebeu do governo da Noruega aproximadamente R$ 86 milhões. Dos 74 projetos apresentados ou aprovados pelo fundo desde sua criação, a maior parte – 37% – é de organizações do terceiro setor.

Os nove manifestantes, indignados com o fiasco, querem montar um grupo de trabalho sem vínculo institucional, para organizar um ato na Av. Paulista no mesmo dia em que a petição anti-Belo Monte da Avaaz – rede internacional de ativistas que organiza abaixo-assinados online – for entregue ao Congresso em Brasília, na próxima terça-feira, dia 8. A petição já tem mais de 440 mil assinaturas.

A hidrelétrica de Belo Monte, que deve ser construída no rio Xingu, na altura da cidade de Altamira (PA), compromete 400 mil hectares da floresta amazônica e afetará 40 mil indígenas. Teve licença ambiental prévia autorizada pelo Ibama em janeiro, para instalação do canteiro de obras, em uma decisão polêmica contestada pelo MPF no Pará.