Twitter: mais difícil de resistir do que álcool

Estadão

06 Fevereiro 2012 | 16h26

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Tuitar ou verificar os e-mails pode ser mais difícil de resistir do que fumar um cigarro ou tomar uma bebida alcoólica, dizem pesquisadores da Booth School of Business, da Universidade de Chicago, que decidiram medir o quanto as pessoas conseguem lidar com seus desejos.

De acordo com o estudo, liderado por Wilhelm Hofmann, mesmo que o sono e sexo sejam impulsos fortes, as pessoas estão mais propensas a ceder aos anseios tecnológicos, de usar redes sociais e outras páginas de contato e relacionamento.

Utilizando celulares BlackBerrys, o experimento foi feito com o objetivo de medir a força de vontade de 205 pessoas, com idade entre 18 e 85 anos, da cidade alemã de Würtzburg. Os resultados serão publicados em breve na revista ‘Psychological Science’.

Os participantes foram acompanhados durante sete dias consecutivos e tiveram de relatar todas as vezes que sentiram um desejo: de que tipo era, a força deste (se era irresistível) e se entrava em conflito com outros anseios. Das 10.558 respostas obtidas, 7.827 eram episódios de ‘desejo’. Sono e lazer foram os mais problemáticos, o que sugere uma ‘tensão generalizada entre inclinações naturais para descansar e a multiplicidade de obrigações’.

Resistir ao desejo de trabalhar quando ele entra em conflito com outros objetivos, tais como socialização ou lazer, pode ser difícil porque a ocupação profissional ajuda a definir a identidade das pessoas, dizem os pesquisadores. Além disso, ela está relacionada com muitos aspectos da vida diária.

“A vida moderna é uma confusão de desejos diferentes, marcados por conflitos e pela resistência, esta última com sucesso desigual”, disse Wilhelm Hofmann.

Segundo o estudo, os relatos de desejo para álcool, tabaco e café foram relativamente baixos, o que desafia ‘o estereótipo da dependência motivada por fortes e irresistíveis anseios’.

Como há mais custo com cigarros e álcool, inclusive monetário, os estudiosos afirmam que ceder aos desejos de chegar as mídias sociais pode ser menos consequente. Entretanto, a frequência tende a ‘roubar’ o tempo das pessoas.

[Via Guardian]