André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Aldo Rebelo consegue R$ 3 bi do PAC para dois projetos de ciência

Recursos para Sirius e Reator Multipropósito Brasileiro foram garantidos mesmo após o governo federal ter reduzido os repasses

Pedro Venceslau e Carla Araújo, O Estado de S. Paulo

07 Maio 2015 | 18h21

SÃO PAULO - Após o governo admitir que o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) teve seus repasses reduzidos em tempos de ajuste fiscal, o ministro da Ciência e Tecnologia, Aldo Rebelo, conseguiu incluir dois projetos de sua pasta no orçamento de 2015. 

Depois de se reunir com a presidente Dilma Rousseff (PT) na semana passada, Rebelo convenceu a presidente a destinar R$ 3 bilhões para dois projetos que considera prioritário para o País: o Sirius e o Reator Multipropósito Brasileiro (RMB). Cada um deles receberá no âmbito do PAC R$ 1,5 bilhão.  

Nesta quarta-feira, 6, o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, reconheceu que o governo reduziu os repasses para obras do PAC. "Estamos vivendo uma restrição fiscal e contingenciando vários programas, o PAC inclusive", afirmou. "Foram R$ 15 bilhões para o PAC no primeiro quadrimestre do ano, ante R$ 20 bilhões no mesmo período de 2014", informou o ministro.

Barbosa ponderou que, ainda assim, os recursos para o PAC ainda são "vultosos". "Nosso desafio é compatibilizar as demandas com capacidade de governo de executá-las. Estamos procurando pagar tudo que é devido e iniciar coisas novas. Os recursos do PAC estão menores, mas ainda assim são vultosos", disse nesta quarta em audiência na Comissão de Finanças e Tributação na Câmara. 

Geração de luz. O Sirius é considerado um dos maiores projetos da ciência brasileira e abrange uma infraestrutura de geração de luz chamada de luz síncrotron, que é uma radiação eletromagnética de amplo espectro, abrangendo diferentes tipos de energia, desde o infravermelho até os raios X. Ela é captada e direcionada para as chamadas "linhas de luz", onde os cientistas podem utilizá-la para uma série de aplicações - principalmente, para investigar as propriedades atômicas de materiais, tanto orgânicos (como uma célula, ou uma proteína) quanto inorgânicos (como uma liga de metal ou algum tipo de cerâmica industrial).

Há várias fontes de luz síncrotron em operação no mundo e o Sirius, segundo os responsáveis pelo projeto, será o mais avançado da sua categoria. Ele vai substituir o acelerador atual, chamado UVX, que foi inaugurado em 1997 e funciona bem até hoje, mas é pequeno demais para atender às demandas científicas da atualidade. Ambos os projetos são desenvolvidos e construídos no Brasil. "O Sirius será construído para disponibilizar para as comunidades acadêmica e industrial brasileiras o melhor que esse tipo de equipamento tem a oferecer", explica o ministério.

Segundo a pasta, o Sirius já está em construção e tem previsão para ser concluído em 2018. O projeto será abrigado em um prédio de 68.000 metros quadrados, localizado em Campinas (SP). 

Já o Reator Multipropósito Brasileiro de grande porte é uma infraestrutura que abrange um complexo de pesquisa nuclear que tem como uma de suas finalidades a produção de radioisótopos, que são a base para os radiofármacos utilizados na medicina nuclear e para produção de fontes radioativas usadas em aplicações na indústria, na agricultura e no meio ambiente. De acordo com o ministério, o RMB vai ocupar uma área de 2 milhões de metros quadrados junto ao complexo tecnológico Aramar, da Marinha do Brasil, em Iperó-SP, localizada a 125 km da capital paulista.

De acordo com o MCTI, com o RMB, o Brasil "está a caminho de se tornar autossuficiente na produção de radioisótopos e radiofármacos, substâncias essenciais na medicina nuclear".

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