REUTERS/Athit Perawongmetha
REUTERS/Athit Perawongmetha

Após tratamento experimental, britânico elimina vírus HIV da corrente sanguínea

Apesar de resultado animador, pesquisadores não confirmam cura de infecção pelo vírus

O Estado de S.Paulo

04 Outubro 2016 | 10h56

Um britânico de 44 anos pode ter se tornado a primeira pessoa a ser curada da infecção pelo vírus HIV, de acordo com um grupo de cientistas e médicos do Reino Unido. As informações foram divulgadas pelo jornal inglês Sunday Times.

De acordo com os cientistas, que trabalham em ensaios clínicos para um tratamento inovador com o objetivo de curar a infecção por HIV, os estudos tiveram "um progresso notável" depois que os testes de um paciente não apresentaram sinais do vírus após o tratamento.

A pesquisa, que está sendo realizada por cinco universidades do Reino Unido, com apoio do Serviço Nacional de Saúde (NHS, na sigla em inglês), combina drogas antirretrovirais convencionais com um medicamento que reativa o vírus adormecido e uma vacina que induz o sistema imunológico a destruir as células infectadas. As drogas antirretrovirais são consideradas altamente eficazes para deter a reprodução do vírus, mas não são capazes de erradicar a doença.

Cinquenta pacientes estão participando dos ensaios. A primeira pessoa a completar o tratamento não apresentou, em testes iniciais, qualquer traço do vírus na corrente sanguínea.

Segundo os cientistas, no entanto, ainda há um longo caminho pela frente antes que o tratamento possa ser considerado um sucesso, já que em outras tentativas anteriores de terapias o vírus reemergiu, depois de ter sido relatada a cura. Ainda assim, os pesquisadores responsáveis disseram que estão otimistas com o novo resultado.

"Essa é uma das primeiras tentativas sérias para tentar curar o HIV. Nós estamos exporando a possibilidade real de curar a doença. Esse é um imenso desafio e ainda estamos no início, mas o progresso tem sido notável", disse ao Sunday Times o diretor geral do NHS, Mark Samuels.

O vírus HIV é capaz de se esconder dos ataques do sistema imunológico em células adormecidas, onde fica invisível até para os mais modernos e sofisticados testes e resiste às terapias. O novo tratamento usa a estratégia de enganar o vírus para que ele saia de seu esconderijo e desencadeie a resposta do sistema imunológico do organismo, que o reconhece e ataca. A nova abordagem tem sido chamada de "kick em kill" (chutar e matar).

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