REUTERS/Robert Galbraith
REUTERS/Robert Galbraith

As virtudes da verticalidade

Pesquisas de duas universidades israelenses mostram que trabalhar em pé parece aumentar o desempenho cognitivo

O Estado de S.Paulo

16 Outubro 2017 | 03h00

THE ECONOMIST - As mesas de escritório em que a pessoa trabalha em pé estão na moda. São abundantes as evidências de que passar muito tempo sentado faz mal à saúde. E tudo indica que trabalhar na vertical é mais saudável. Mas será que também faz bem para o trabalho em si? Aparentemente, sim. É o que mostra uma pesquisa realizada por professores de duas instituições acadêmicas israelenses – Yaniv Mama, da Universidade Ariel, e David Rosenbaum e Daniel Algom, da Universidade de Tel Aviv – cujos resultados foram publicados em setembro no site do periódico Psychological Science.

Ficar em pé exige da pessoa mais esforço do que permanecer na posição sentada. Portanto, deve requerer também maior grau de atenção mental. Os músculos envolvidos precisam ser constantemente monitorados e ajustados pelo cérebro. Experimentos psicológicos indicam que a atenção é um recurso finito. Assim, seria de se esperar que a posição vertical reduzisse a quantidade de atenção disponível para ser utilizada em outras atividades. Por outro lado, pode-se levantar uma contra hipótese, segundo a qual, ao se postar na vertical, a pessoa mantém o corpo levemente tensionado – e experimentos já mostraram que, sob tensão, o desempenho cognitivo melhora.

Para testar as duas possibilidades, Mama e seus colegas submeteram alguns voluntários ao chamado teste de Stroop, dividindo-os em duas turmas. Uma delas realizou o teste sentada; a outra, em pé. Esse teste exige que os participantes (no caso, 50 estudantes universitários) digam a cor em que estão grafadas algumas palavras, as quais, por sua vez, são justamente nomes de cores. Em alguns casos, há identidade entre o significado da palavra e a cor em que ela está grafada. Em outros, não (a palavra “azul”, por exemplo, pode estar impressa com letras amarelas). Décadas de experiência mostram que, quando a cor da palavra não corresponde ao seu significado, a pessoa leva mais tempo para responder do que quando cor e significado são idênticos. Também se sabe que a diferença no tempo de resposta aumenta quando o indivíduo é simultaneamente submetido a outras demandas mentais.

O resultado foi que os que estavam em pé ao realizar o teste tiveram desempenho significativamente melhor do que os que se encontravam sentados. A diferença nas respostas dos voluntários que permaneceram na vertical foi de cerca de 100 milissegundos. Entre os sentados, foi de aproximadamente 120 milissegundos. Em outras palavras, o velho comando militar que diz “atenção, pelotão, sentido!” parece fazer literal e figurativamente sentido. E as pessoas que trabalham em pé talvez estejam não apenas contribuindo para o seu bem-estar, mas também produzindo mais. / TRADUZIDO POR ALEXANDRE HUBNER

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