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Astronautas que foram à Lua têm mais problemas cardiovasculares; entenda

Cientistas acreditam que efeitos sobre a saúde se devem à radiação à qual foram submetidos aqueles que participaram de voos ao satélite

O Estado de S. Paulo

28 Julho 2016 | 15h39

A radiação à qual foram submetidos os astronautas que viajaram à Lua nas décadas de 1960 e 1970 aumentou neles a incidência de complicações cardiovasculares, segundo um estudo publicado nesta quinta-feira, 28, na revista Scientific Reports.

Cerca de 43% das mortes de astronautas que participaram das missões Apolo se devem a complicações cardiovasculares, comparado com 11% entre os que participaram de voos mais próximos à Terra, assinalam pesquisadores da Universidade Estadual da Flórida (Estados Unidos).

Um grupo de controle formado por 35 astronautas que não chegaram a participar de nenhuma missão mostrou, por sua vez, uma mortalidade de 9% por essas causas.

Os cientistas acreditam que esses efeitos sobre a saúde se devem à radiação à qual foram submetidos quem participou dos voos à Lua, mais do que a ausência de gravidade.

"Conhecemos muito pouco sobre os efeitos da radiação no espaço profundo sobre a saúde humana, particularmente sobre o sistema cardiovascular", afirmou o principal autor do estudo, Michael Delp.

O programa americano Apolo consistiu em 11 voos tripulados entre 1968 e 1972, incluindo a viagem que levou Neil Armstrong e Buzz Aldrin a pisar a superfície lunar pela primeira vez, no dia 20 de julho de 1969.

Após esse sucesso, os EUA lançaram outras seis missões tripuladas à Lua, uma delas a do Apolo 13, abortada durante a viagem de ida por problemas técnicos.

Até o momento, os astronautas que participaram daqueles voos são os únicos seres humanos que estiveram além da magnetosfera terrestre, o campo magnético que protege o planeta das partículas de alta energia que chegam do espaço.

Dos 24 homens que participaram dessas missões, oito morreram e se levaram em conta os dados de 23 deles para o estudo da Universidade Estatal da Flórida.

Delp e sua equipe expuseram ratos à falta de gravidade simulada e ao tipo de radiação à qual estiveram submetidos os astronautas para tentar determinar a causa das mortes por problemas cardíacos.

Após seis meses de experimento, o equivalente a 20 anos para os humanos, os ratos submetidos a radiação mostravam mudanças no revestimento celular de seus vasos sanguíneos similares aos que provocam um estreitamento das artérias e falhas cardíacas nos humanos.

A falta de gravidade simulada, por outro lado, não contribuiu para aumentar esses efeitos na saúde dos ratos.

"Estes dados sugerem que as viagens de seres humanos ao espaço profundo poderiam ser mais perigosas para a saúde cardiovascular do que até agora se estimava", afirmou Delp.

Diversas agências espaciais e organizações privadas anunciaram futuros planos para enviar voos tripulados além da magnetosfera terrestre.

A Nasa prevê lançar missões orbitais ao redor da Lua entre 2020 e 2030, em preparação para posteriores voos a Marte, enquanto Rússia, China e Agência Espacial Europeia têm planos para missões lunares, e a privada Space X se propôs levar humanos ao planeta vermelho até 2026. /EFE

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