Astrônomos amadores ajudam Nasa a estudar nevasca em Saturno

Alertada por fotos feitas na Austrália e nas Filipinas, sonda espacial captura detalhes da tormenta

estadao.com.br

29 Abril 2010 | 16h05

Com a ajuda de astrônomos amadores, o espectrômetro infravermelho a bordo da sonda Cassini, da Nasa, fez sua primeira imagem de uma gigantesca nevasca na atmosfera de Saturno. O instrumento coletou os dados mais detalhados já obtidos das temperaturas e da distribuição de gases nas tempestades do planeta.

 

Os dados mostram uma tempestade enorme e turbulenta, arrastando material das profundezas da atmosfera. "Estamos muito animados por receber um alerta dos amadores", disse um dos membros da equipe do espectrômetro, Gordon Bjoraker. Normalmente, diz ele, "os dados da tempestade teriam desaparecido na média da atmosfera".

 

Os instrumentos da Cassini vêm rastreando tempestades em saturno há anos, concentrando-se numa faixa das latitudes médias conhecida como "beco das tormentas". Mas as tempestades podem surgir e desaparecer numa escala de semanas, e os equipamentos da Cassini precisam ser apontados com meses de antecedência.

 

Outro instrumento, de ondas de rádio e plasma, capta regularmente descargas eletrostáticas associadas a tempestades, e os cientistas enviam sugestões a astrônomos amadores, que podem apontar rapidamente seus telescópios e tentar ver as nuvens brilhantes. Um grupo de amadores que inclui  Anthony Wesley, Trevor Barry e Christopher Go receberam uma dessas sugestões em fevereiro, e conseguiram tirar várias fotos nas semanas seguintes.

 

No fim de março, Wesley, que vive na Austrália, enviou aos cientistas da Cassini um e-mail com fotos da tempestade. Os pesquisadores analisaram as imagens, incluindo uma foto do auge da tempestade feita em 13 de março por Go, que mora nas Filipinas.

 

Imagem de Saturno feita por Christopher Go que apontou local de tempestade. C.Go/Nasa

 

Por sorte, o espectrômetro composto de infravermelho estava apontado para a latitude das tempestades. Os cientistas sabiam que poderia haver tempestades na área, mas não os pontos exatos de atividade.

Dados obtidos no fim de março pelo espectrômetro mostraram grandes quantidades inesperadas de fosfina, um gás tipicamente encontrado nas partes mais profundas da atmosfera de Saturno, e um indicador de que fortes correntes estavam arrastando o material para cima.

 

O espectrômetro também revelou que a tropopausa, que divide a estratosfera calma da troposfera mais ativa, era cerca de 0,5º C mais fria dentro da célula de tempestade do que nas áreas vizinhas.

 

"Um balonista flutuando cerca de 100 km abaixo do limite inferior da estratosfera de Saturno vivenciaria uma nevasca de amônia congelada extremamente intensa", disse a pesquisadora Brigette Hesman, da Universidade de Maryland. "Essas nevascas parecem ser alimentadas por tempestades violentas mais embaixo, talvez 100 a 200 quilômetros abaixo, onde raios foram observados e nuvens são feitas de água e amônia".

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