Astrônomos captam movimento de planeta fora do Sistema Solar

O astro pode ter se formado de modo semelhante aos planetas gigantes do Sistema Solar

estadao.com.br

10 Junho 2010 | 17h20

Imagem com as duas posição do planeta, em 2003 e 2009. O disco de detritos é a nuvem azul ao redor. Divulgação

 

Cientistas conseguiram, pela primeira vez, acompanhar o movimento de um planeta em órbita de outra estrela que não o Sol. O exoplaneta tem a menor órbita já detectada em um planeta de fora do Sistema Solar observado diretamente, situando-se quase tão perto da sua estrela como Saturno está do Sol.

 

Os astrônomos creem que o astro pode ter se formado de modo semelhante aos planetas gigantes do Sistema Solar. Como a estrela é bem jovem, a descoberta mostra que planetas gigantes gasosos podem surgir em poucos milhões de anos, uma escala de tempo curta em termos cósmicos.

 

Com apenas 12 milhões de anos - o Sol, em comparação, tem mais de 4 bilhões - Beta Pictoris tem 75% mais massa que a nossa estrela. Situada a cerca de 60 anos-luz de distância, na direção da constelação de Pictor, trata-se de um dos exemplos mais conhecidos de uma estrela rodeada por um disco de poeira e detritos, o tipo de ambiente onde se formam planetas.

 

Observações anteriores mostraram uma deformação do disco, um disco secundário inclinado e cometas em rota de colisão com a estrela. “Eram sinais indiretos, mas indicativos da presença de uma planeta de grande massa, e as nossas novas observações demonstram este fato de forma definitiva,” diz a líder da equipe, Anne-Marie Lagrange.

 

“Uma vez que a estrela é muito jovem, os nossos resultados mostram que planetas gigantes podem formar-se nestes discos em escalas de tempo tão pequenas como alguns milhares de anos.”

 

Observações recentes mostraram que os discos em torno de estrelas jovens se dispersam ao fim de alguns milhões de anos, e que a formação de planetas gigantes deve, portanto, ocorrer mais depressa do que o que se julgava anteriormente.

 

O exoplaneta tem uma massa de cerca de nove vezes a massa de Júpiter, dispondo igualmente da massa e localização certas para explicar a deformação observada no interior do disco.

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