Astrônomos descobrem 'endereço' da Via Láctea no universo

Superconglomerado de 100 mil galáxias e 500 milhões de anos-luz de diâmetro foi batizado de Laniakea, que significa 'imenso céu'

Edison Veiga, O Estado de S. Paulo

05 Setembro 2014 | 09h23

SÃO PAULO - A Via Láctea faz parte de algo maior. Muito maior. Usando o telescópio Green Bank da agência americana National Science Foundation's, uma equipe de astrônomos identificou um superconglomerado de galáxias, do qual faz parte o nosso próprio "endereço" no universo. Eles batizaram esse gigantesco conjunto de Laniakea - que, em idioma havaiano, significa "imenso céu".

Essa descoberta, que enriquece os conhecimentos científicos acerca da nossa vizinhança espacial, além de reconhecer ligações entre grupos de galáxias já identificadas anteriormente, é tema da reportagem de capa desta quinta-feira, 4, da revista científica Nature.

"Nós finalmente estabelecemos os contornos que definem o superaglomerado que podemos chamar de lar", disse o pesquisador R. Brent Tully, astrônomo da Universidade do Havaí, à publicação especializada. "Não é diferente de descobrir pela primeira vez que sua cidade natal é, na verdade, parte de um país muito maior que faz fronteira com outros países", comparou.

A Via Láctea fica na borda do superaglomerado Laniakea - um conjunto que tem 500 milhões de anos-luz de diâmetro e massa de 100 milhões de bilhões de sóis. No total, 100 mil galáxias fazem parte dessa estrutura. De acordo com os cientistas, todas as galáxias de um mesmo superaglomerado são interligadas entre si por uma rede de filamentos.

Esse trabalho de cartografia cósmica só foi possível porque a equipe de astrônomos mapeou, usando o Green Bank e outros radiotelescópios, as velocidades da galáxias. Com isso, os cientistas conseguirem definir a região do espaço ocupada pelo superaglomerado.

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