Aziz defende Código da Biodiversidade

Na SBPC, geógrafo falou em ampliação do Código Florestal, dizendo que a Caatinga não é floresta, mas precisa de proteção

Afra Balazina enviada especial / Natal, O Estado de S.Paulo

28 Julho 2010 | 00h00

O geógrafo Aziz Ab"Saber, de 85 anos, defendeu ontem que o Código Florestal se transforme em um Código da Biodiversidade, mais abrangente que o atual. Em conferência na 62.ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em Natal, ele justificou que a Caatinga, por exemplo, não é uma floresta, mas também é um bioma que precisa ser preservado.

Homenageado do evento, Aziz é a maior celebridade do câmpus da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), onde ocorre a SBPC ? por onde passa, alunos e professores pedem para tirar fotos e se aproximam para conversar.

Durante sua apresentação, o geógrafo criticou a proposta elaborada pelo deputado federal Aldo Rebelo (PcdoB-SP) para a alteração do Código Florestal. "Lá em Brasília temos um grande problema. Um deputado resolveu fazer mudanças no código a favor dos ruralistas. Não que a gente seja contra eles, mas não se deve dar todos os direitos."

O professor afirmou que mandou uma carta ao deputado, que respondeu com outra "duas vezes maior, me xingando". Um documento com a avaliação completa de Aziz sobre o tema foi colocado no site da SBPC (www.sbpcnet.org.br). Nele, o geógrafo afirma que as "novas exigências do Código Florestal proposto têm um caráter de liberação excessiva e abusiva".

"Em qualquer revisão do código deve-se enfocar as diretrizes por meio das grandes regiões naturais, sobretudo domínios de natureza muito diferentes entre si, como a Amazônia e suas extensíssimas florestas tropicais e o Nordeste seco, com seus diferentes tipos de caatingas", disse.

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